Como Eram Meus Pensamentos Antes
Havia uma corda no meu quarto, mas antes dela existir, já havia um nó dentro de mim. Um nó feito de silêncio, de noites sem descanso, de lágrimas escondidas no travesseiro e de perguntas que ninguém conseguia responder. Eu sorria quando precisava, falava quando era necessário, mas por dentro eu desaparecia aos poucos, como uma vela que continua acesa enquanto a própria chama a consome. Eu olhava para o futuro e não enxergava nada. Era como caminhar em uma estrada coberta por neblina, sem saber para onde ir, sem saber se havia algo esperando por mim adiante. O peso dos dias aumentava. As horas pareciam anos. E eu me perguntava quantas vezes um coração pode quebrar antes de simplesmente desistir de bater por esperança. Ninguém via a guerra acontecendo. Ninguém ouvia os gritos presos atrás do meu silêncio. Eu carregava tempestades inteiras no peito e fingia que eram apenas algumas gotas de chuva. Houve noites em que eu desejei dormir e não sentir mais nada. Nem tristeza. Nem medo. Nem vazio. Apenas silêncio. Porque, às vezes, a dor não chega gritando. Ela chega devagar. Senta ao seu lado. Rouba suas cores. Apaga seus sonhos. E faz você acreditar que nunca existiu luz. Eu me tornei uma sombra de quem fui. Uma lembrança viva de alguém que estava cansado demais para continuar lutando. E o mais triste de tudo é que eu realmente acreditava que minha ausência doeria menos do que minha presença.
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