Inferno Poético @pessoafria
Poema

A Casa Onde Minha Alma Foi Quebrada

Parte 2 sou feita de fragmentos de uma infância que não tive, sou feita de gritos que engoli para não piorar as coisas, sou feita de noites em que só o silêncio me abraçou. E às vezes ainda me vejo ali, naquele canto, de joelhos, tremendo, esperando que alguém me encontre, que alguém diga que eu não merecia aquilo, que eu não nasci para carregar essa culpa, que minha dor não foi escolha, que a violência dele não define quem eu sou. Mas a verdade é que eu cresci com perguntas que ninguém respondeu: “Quando acaba?” “Quando eu vou ser alguém além da vítima?” “Por que a minha infância foi arrancada de mim?” “Por que o amor nunca veio?” Eu, que só queria paz, ganhei memórias que queimam. Eu, que só queria carinho, ganhei mãos que feriam. Eu, que só queria existir, aprendi a sobreviver. E ainda hoje, quando a noite cai pesada sobre meus ombros, eu fecho os olhos e sinto a velha sombra dele, mas agora eu digo, mesmo com a voz fraca: “Você não manda mais em mim.” Mesmo que por dentro eu ainda esteja segurando a menina quebrada que eu um dia fui. Mesmo que eu ainda sangrando em silêncio. Mesmo que o passado ainda me acompanhe. Eu sigo. Com minhas rachaduras. Com minhas perguntas. Com meu corpo cansado. Com minha alma remendada. Porque, no fim, apesar de tudo, eu ainda estou aqui.

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