Pluma~ Pt:1/2
Enquanto o céu cai, Em um estrondo trovejante, E os ventos cantam em um assobio místico Como a flauta de um elfo melancólico. A chuva desce das nuvens como um véu branco dançando no ar antes de cair no chão banhando a grama que se afoga debaixo da água. Ouço o céu bater na terra ao cair. Vejo o chão ceder à força do azul tempestuoso e romper-se, sinto o ar gelado que viaja com a chuva. As nuvens em cor de um prata raivoso despejando suas lágrimas na terra, rios se formando enquanto eu, uma pequena pluma branca, se deixa levar pelo caos, que mais poderia fazer? Tão pequena e frágil, basta uma das gotas que vem das nuvens me atingir para que eu me encharque e caia na lama que se forma no chão. Mas, por algum motivo, seja o destino, o acaso, a sorte, um milagre, ainda sigo voando por entre as gotas geladas e grossas de água. Por qual motivo? O que uma pena do tamanho de um dedal mudaria nesse mundo? Por qual motivo os ventos tiveram piedade em me fazer prosseguir voando por entre a chuva, dançando graciosamente como uma ninfa que pertence a esse caos causado pela queda do céu? Por que o céu caiu afinal? Talvez o sol tenha se cansado dele, talvez tenha partido e deixado o céu vazio e, em sua melancolia, decidiu chorar, decidiu jogar seu desespero à terra em busca de amparo. Talvez. Mas eu, em minha insignificância, resisto à queda ao chão e continuo a vagar pela terra e voar entre os ventos, perguntando-me o porquê de tal misericórdia a mim concedida. Aos poucos, o céu acalma-se de seu choro e as nuvens se dissipam, deixando apenas finos e sensíveis pedaços de algodão salpicados por um céu claro e calmo. Entendo o porquê de tal calmaria; o sol se faz presente, aquecendo a todos com seu calor e deixando seus raios de luz tremeluzentes dançarem pelo azul, iluminando a terra e refletindo na água deixada para trás.
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