Matheus Xavier @omatheusxavier
Amor

Jardim de Alah

Quem diria que do riso viria o pranto. Quem diria que entre o forte abraço de um grande amor, haveria uma grande barreira invisível, inexplicável, ainda que com toda nossa intimidade que outrora achávamos metafísica. Quem diria que Romeu viveria sem Julieta neste mundo Quem diria que o fogo dos corpos em transe cessaria Quem diria que prováveis almas gêmeas precisariam seguir por caminhos distintos Quem diria que já tínhamos passado pelo grande clímax da nossa história de amor que achávamos que teria incontáveis capítulos. Mas acontece que, diante de toda a potência do nosso amor, permitimos que ele fosse efêmero, breve. Pecamos conosco. Amou-me por exatamente 15 meses, assim como Marcela amou Brás Cubas. As condições para mantermos juntos, um ao outro, eram demasiadamente caras, quiçá incalculáveis (apesar de não serem tão visíveis) Seria o amor, de fato, incondicional? Víamos toda a nossa degeneração botânica. A degeneração de todo o nosso cultivo. Enfim, quem diria que não caminhávamos mais em direção às árvores monumentais que havíamos plantado mas sim, em direção ao nosso remate absoluto E sobretudo, quem diria que as palavras vívidas - as sementes do amor -, tornar-se-iam meras palavras rasuradas no papel que se esvai Mas, apesar dos pesares, não sejamos ingratos: Quando eventualmente visitar os resquícios das nossas caminhadas no jardim, hei de contemplar as lembranças in memorian Hei de continuar prosando sobre o que fora vivido - a dois. Prometo-lhe, portanto, que a lírica dentro da nossa curta prosa ainda será eterna. ~ Matheus Xavier

Comentários · 1

  1. Nilza Poetisa

    Teu poema é tão lindo, intenso, perfeito Que não se acha palavras pra comentar. Simplesmente Perfeito Matheus 👏👏👏🥰

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    1. Matheus Xavier

      Tuas palavras, para mim, são motivos de grande e generosa lisonja, Querida Nilza! Muitíssimo obrigado!! ❤🤗

    2. Nilza Poetisa

      Eu que te agradeço em ler