Atar
É cru isto que falamos, sem a censura moral ou o receio da recusa — recusa a que me refiro é abstrata, não no sentido de violação do consentimento, mas da negação do desejo; do afeto; do eu; do outro. Eu sinto, aceito, recebo. Tudo é ação, contexto. A semântica, para sermos mais objetivos, diz-nos que significa unir, juntar, reunir duas partes numa só; duas matérias, um ser-objeto a ser moldado, construído — no sentido material, um objeto, o sexo, a fecundação; espiritual, um laço, um espaço, uma memória. Gosto de falar do sexo, do gozo, do prazer mental — daquilo que me remete à satisfação da carne. És a natureza. A naturalização do "nós". É impróprio, imoral, sujo. Mas isso é justificativa de quem não amou; sujar-se é nobre, é permitir-se carregar o eu e o outro na pele, no cheiro, nos orifícios. — e eu me sujei, mental, emocional e fisicamente; aquele protesto anárquico contra todas as razões morais, contra a insensibilização.
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