Mudança de estação
Num dado momento, cruzaram os caminhos ao acaso; fizera o destino a intervenção ou era o acaso do tropeço então? Não saberia responder, tampouco nutria a vontade de pensar — era uma insana ilusão, por melhor, uma flor de condão. Tentou chamar-lhe pelo prenome, estancou, não o lembrava — residia apenas a memória do corpo, iam-se às almas; quisera tentar uma segunda: obteve o êxito do sobrenome, escapando-lhe dentre os lábios num timbre inflexível, monótono — seria qual sentimento ali além do seguimento da vida? Interromperam o passo. Olharam-se. Era o epílogo — o fim, depois do último capítulo sussurrando uma continuação — mostrando suas faces sadias, os corações noutros caminhos e o esquecimento nos pormenores. Residiam nas íris duas inquestionáveis respostas: primeira, você não é mais você, o amor; a segunda, desamei.
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