A natureza, pura,
Tocando a vida urbana.
Contraste ou comunhão?
Nos lembra da nossa insignificância
E da grande significância de todo o resto,
Tudo que é maior que nós,
Animais de instintos. Distintos.
Uma pausa para um café
E o vento soprando lá fora.
Há outros animais lá também. Posso ouvi-los.
Por entre carros e pássaros cantando,
Habita também um silêncio sutil
Chamado solidão,
Onde o homem abandona a natureza
E se fascina por tudo que não seja ela,
Nem mesmo outro animal.
(MarDavi)
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O fantasma da inocência,
Como sopro de vida, se foi.
O beijo da consciência,
Como aberta ferida, me dói.
Quão necessário é?
Do que você abriu mão?
Se lembra como é
Ter ainda uma ilusão?
Tantos sonhos sonhados,
Varridos e esquecidos,
Que nos encontramos armados
E de esperança sem vestígios.
(MarDavi)
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Como satélites naturais,
Meus pensamentos me orbitam.
Sempre aqui, me assombrando,
Pairando sob minha cabeça
Sem emitir qualquer luz.
Dentro de mim, no fundo,
Habitam pessoas e natureza,
Força e fraqueza,
Terra e mar
E a gravidade que me prende ao chão...
Não consigo voar.
(MarDavi)
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Doce menina,
Não chore mais
Que teu rosto de infância pode desaparecer
Tire dos olhos essa tristeza
Não combina com você, nem te pertence
Tu és uma força da natureza
Poderosa, impetuosa, indomável e irreversível
Por isso me mostre teus trovões
Seja de novo tempestade e furacão
A ardência de um dia ensolarado
Pois o mundo tem sede de fogo
Então faça-o queimar.
(MarDavi)
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Dizem que não se deve falar com estranhos.
Então, o que fazer quando estamos encarando um diante do espelho?
Devo continuar a ignorar sua presença?
Me pergunto quem é o estranho em minha frente.
Seu semblante me é familiar, mas não reconheço a dor que carrega em seus olhos.
Que expressão será essa? Interrogativa, amarga...
Sinto que devo abraçá-lo.
Tenho que dizer a ele que ficará tudo bem.
Obrigada, estranho, por notar minha presença.
Eu havia me esquecido de mim há muito tempo.
"Não me reconhece?" ele disse.
"Muito prazer. Eu sou aquele que você havia esquecido".
(MarDavi)
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Como folha em branco
A vida permite criar
Para o meu espanto
É com caneta que vou desenhar
Todos os meus caminhos
Sem poder passar borracha
Me resta o corretivo
Mas diferente do que acha
Este só faz tornar escondido
Aquilo que queria apagar
Fato é que o passado não some
Superar não faz esquecer
Rabiscar torna a vida disforme
O que foi deve prevalecer
Na memória para sempre aprender
(MarDavi)
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O amor é tão fascinante
Por te fazer sentir-se vivo num momento
E a morrer, noutro instante
Ora um tormento
Ora picante
A montanha-russa da aventura mais louca
Mais delirante
Que não é muita nem pouca
Mas perfeitamente embriagante
E mesmo quando se acaba
Continua a atormentar
(MarDavi)
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Menina,
Por que elogia tanto o que vê nos outros
E em ti só põe defeitos?
Sabia que também és admirada?
Nem tudo é tão perfeito
Se não olhares com olhos míopes
Cegos de desejo por ser o que não é
(MarDavi)
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Parada diante de você
Analiso os momentos
Tantas vezes tentei te entender
Mas tantos foram seus argumentos
No fundo eu te amo
Só não te vejo com bons olhos
Continuo tentando
Mesmo que doa até os ossos
Tenho falado muito de você
Mas isso não é o certo
Preciso é falar com você
Te olhar mais de perto
Você sente dor há tempos
Seu sofrimento é velho
Mas aqui estamos nós
Meu inimigo, espelho
(MarDavi)
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Tomada a consciência,
Inicia-se a guerra
O eterno conflito entre o querer e o dever
O coração, soldado condecorado,
Quase já não pode ficar em pé
A mente desconhece o cessar-fogo, implacável
Ela continua disparando
De tiro em tiro
O soldado não sabe se fica mais forte ou mais morto
Ele tenta revidar
O corpo, campo de batalha,
Está agora destruído
Restaram somente os destroços do que era fecundo
Da emblemática guerra
Que nunca termina
Nem esfria
Só faz tornar o campo infértil de sentimentos
(MarDavi)
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