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Marcela Davi

@nullus_hic · desde 2020

Rabiscos de uma existência.

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O Abandono

A natureza, pura, Tocando a vida urbana. Contraste ou comunhão? Nos lembra da nossa insignificância E da grande significância de todo o resto, Tudo que é maior que nós, Animais de instintos. Distintos. Uma pausa para um café E o vento soprando lá fora. Há outros animais lá também. Posso ouvi-los. Por entre carros e pássaros cantando, Habita também um silêncio sutil Chamado solidão, Onde o homem abandona a natureza E se fascina por tudo que não seja ela, Nem mesmo outro animal. (MarDavi)

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Desiludido

O fantasma da inocência, Como sopro de vida, se foi. O beijo da consciência, Como aberta ferida, me dói. Quão necessário é? Do que você abriu mão? Se lembra como é Ter ainda uma ilusão? Tantos sonhos sonhados, Varridos e esquecidos, Que nos encontramos armados E de esperança sem vestígios. (MarDavi)

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Universo

Como satélites naturais, Meus pensamentos me orbitam. Sempre aqui, me assombrando, Pairando sob minha cabeça Sem emitir qualquer luz. Dentro de mim, no fundo, Habitam pessoas e natureza, Força e fraqueza, Terra e mar E a gravidade que me prende ao chão... Não consigo voar. (MarDavi)

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Redescobrindo

Doce menina, Não chore mais Que teu rosto de infância pode desaparecer Tire dos olhos essa tristeza Não combina com você, nem te pertence Tu és uma força da natureza Poderosa, impetuosa, indomável e irreversível Por isso me mostre teus trovões Seja de novo tempestade e furacão A ardência de um dia ensolarado Pois o mundo tem sede de fogo Então faça-o queimar. (MarDavi)

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Reencontro

Dizem que não se deve falar com estranhos. Então, o que fazer quando estamos encarando um diante do espelho? Devo continuar a ignorar sua presença? Me pergunto quem é o estranho em minha frente. Seu semblante me é familiar, mas não reconheço a dor que carrega em seus olhos. Que expressão será essa? Interrogativa, amarga... Sinto que devo abraçá-lo. Tenho que dizer a ele que ficará tudo bem. Obrigada, estranho, por notar minha presença. Eu havia me esquecido de mim há muito tempo. "Não me reconhece?" ele disse. "Muito prazer. Eu sou aquele que você havia esquecido". (MarDavi)

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Folha de Papel

Como folha em branco A vida permite criar Para o meu espanto É com caneta que vou desenhar Todos os meus caminhos Sem poder passar borracha Me resta o corretivo Mas diferente do que acha Este só faz tornar escondido Aquilo que queria apagar Fato é que o passado não some Superar não faz esquecer Rabiscar torna a vida disforme O que foi deve prevalecer Na memória para sempre aprender (MarDavi)

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Ah...

O amor é tão fascinante Por te fazer sentir-se vivo num momento E a morrer, noutro instante Ora um tormento Ora picante A montanha-russa da aventura mais louca Mais delirante Que não é muita nem pouca Mas perfeitamente embriagante E mesmo quando se acaba Continua a atormentar (MarDavi)

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Insatisfeita

Menina, Por que elogia tanto o que vê nos outros E em ti só põe defeitos? Sabia que também és admirada? Nem tudo é tão perfeito Se não olhares com olhos míopes Cegos de desejo por ser o que não é (MarDavi)

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Reflexo

Parada diante de você Analiso os momentos Tantas vezes tentei te entender Mas tantos foram seus argumentos No fundo eu te amo Só não te vejo com bons olhos Continuo tentando Mesmo que doa até os ossos Tenho falado muito de você Mas isso não é o certo Preciso é falar com você Te olhar mais de perto Você sente dor há tempos Seu sofrimento é velho Mas aqui estamos nós Meu inimigo, espelho (MarDavi)

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Sanidade

O Conflito

Tomada a consciência, Inicia-se a guerra O eterno conflito entre o querer e o dever O coração, soldado condecorado, Quase já não pode ficar em pé A mente desconhece o cessar-fogo, implacável Ela continua disparando De tiro em tiro O soldado não sabe se fica mais forte ou mais morto Ele tenta revidar O corpo, campo de batalha, Está agora destruído Restaram somente os destroços do que era fecundo Da emblemática guerra Que nunca termina Nem esfria Só faz tornar o campo infértil de sentimentos (MarDavi)

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