Confissões ao vento
Uma vez você me perguntou chorando se eu te amava, E por imaturidade da época, eu não soube responder. Ri sem graça, como quem faz uma piada, E desviei do assunto, para não te responder. Sei que meu silêncio te feriu. Eu não sabia o que era amor, Não sabia como amar você, E muito menos como curar a minha própria dor. Em cada gesto que você fazia, Em cada olhar que você me dava, Eu podia sentir que havia uma mágoa guardada, Mas eu nunca te dei a chance de falar o que te incomodava. Minha confusão me prendeu, Meus medos me calaram, Minha insegurança me cegava. E enquanto eu sufocava tudo o que não dizia, Te vi partir. Você me virou as costas, e desistiu de mim. Eu não te culpo. Sempre fui meio imaturo. Agora, me afogo no amargor do arrependimento. Quem dera eu pudesse voltar no tempo, Te dizer tudo o que guardei, Ser a pessoa que você tanto desejava, E te amar com a mesma intensidade que você me amava. Hoje, os ecos do teu choro Ressoam no vazio das minhas memórias. Percebo que é tarde demais para mudar o agora. Percebo que te amava, mas não admitia. Que traía meus próprios sentimentos, E amar sem admitir é o mesmo que se prender ao próprio tormento. Se eu pudesse te ver por um único segundo, Gritaria aos ventos que te amava, sempre te amei. Mas o tempo não se curva a ninguém. As palavras não ditas agora repousam, Enterradas no fundo do meu ser, E se tornaram meu maior arrependimento: Nunca ter dito que amava você. Agora, em frangalhos, minha alma vaga, Na esperança de um dia te encontrar. Te dizer tudo o que nunca foi dito, Mesmo sabendo que, talvez, Você já não vá mais acreditar.
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