Viveria então?
Posso então um dia voltar em dois, três meses, um ano se eu muito rezar? Posso ter mais vislumbres, posso sentir nos meus lábios a sensação do primeiro beijo, o coração volúvel? O coração ainda bate de propósito ou o coração tropeça em meus soluços? Seria ainda somente meu, este coração? Se não, onde o escondi em meu mundo? Se o achasse, acho que engoliria de volta. Poderia assim então ser digerido, dissolvido em suco gástrico, fétido e feio, iria com a descarga, sem volta. Talvez pudesse seguir à risca a cicatriz, colocá-lo de volta no peito. Não me anima ver o sangue escorrer ou esguichar, chafariz... Um chafariz vermelho, é... não me anima. Viver piscando lento, a pele pálida, é o melhor jeito. Não me bronzeia a pele o brilho do sol. Assim nenhum homem me olharia de novo com aquele olhar. Assim nem mesmo o que amo conseguiria de fato amar ou odiar. Viveria então em paz?
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