Amores Estranhos
Amores estranhos não chegam pela porta da frente.
Entram de lado,
sentam no chão da sala
e mudam o lugar dos móveis da alma.
Não prometem futuro,
mas bagunçam o presente
com uma precisão quase cirúrgica.
São feitos de silêncios que falam
e de ausências que abraçam.
Não cabem em rótulos,
nem em domingos previsíveis.
Vivem de encontros improváveis,
olhares que duram mais que beijos
e despedidas que nunca se despedem direito.
Amores estranhos ensinam
sem querer ensinar.
Doem sem pedir desculpa.
E quando vão embora,
levam algo que não sabíamos que era essencial.
Talvez não sejam feitos para ficar.
Mas são feitos para acordar.
E isso…
já é um tipo raro de amor.
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Há fantasias que não pedem urgência,
pedem cena.
Como um filme de romance
sem pressa de acabar.
Um buquê de flores nas mãos,
não como pedido de desculpas,
mas como anúncio:
eu pensei em você.
Um jantar num restaurante chique,
luzes baixas, talheres que sabem esperar,
um vestido bonito encontrando
um salto perfeito
e o mundo, por algumas horas,
sabendo se comportar.
Museus de arte onde o silêncio fala,
quadros que observam de volta,
lugares novos que não exigem mapas,
apenas presença.
Cafés superfaturados
porque às vezes o exagero também é poesia.
Croissant quebrando em migalhas douradas,
capuccino quente segurando a tarde
pelas bordas.
Bom vinho servido sem explicações,
pão italiano rasgado com as mãos,
gorgonzola intenso,
geleia de damasco equilibrando o caos
como a vida quando acerta o ponto.
Uma noite de pizza,
simples e sagrada,
porque o amor também mora
no cotidiano bem feito.
Passar a noite em claro olhando pro céu,
sem promessas,
sem planos,
apenas estrelas testemunhando
que o tempo pode parar
quando quer.
Essas não são fantasias grandiosas.
São luxos sutis.
São cenas onde a alma respira
e o coração não precisa se defender.
No fundo,
é só o desejo de viver bonito
com sabor,
com arte,
com presença.
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