Parabéns, você conseguiu!
Sou o brinquedinho do papai,
Como eu era da mamãe,
E parece que nada mudou.
Agora durmo sem saber
Do dia que vai chegar,
E acordo sem entender
Por que tudo piorou.
Você cheira e me esquece,
Como os pais costumam fazer.
Seu ar cansado me enlouquece,
Não sei a quem obedecer.
Meu bolso tem todos os cigarros
Que você acha que fumou.
Entre lágrimas e tragos,
Me pergunto por que não me escutou.
Agora sou um "homem feito",
Feito de dor, feito para morrer
À luz da incompetência
Do homem que me fez nascer.
E eu nem posso reclamar,
Porque, sempre que o faço, me arrependo;
Eu sei onde está doendo.
Acredite, pai, eu entendo.
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Era bom quando íamos às festas
E você segurava minha mão
Como quem diz: "por favor, me salve!"
Para escapar da solidão.
Eu deixei marcas feias em você,
E fiz de uma forma meio estranha.
Eu quis te ver me perder,
E mesmo assim você me ganha.
Tiro sua roupa como quem tira um tempo pra pensar.
Não tenho pressa, você não vai me soltar.
Às vezes os corpos se encaixam de formas que não era pra acontecer,
E por isso não larguei você.
Por isso eu quis você.
Mas não amei.
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Eu já desisti de tudo
Embora tente resistir.
Eu esqueci meu futuro
Tentando me forçar a seguir.
Eu não quero estar aqui
Nesse inferno que construí.
Uma garrafa cheia na dispensa,
Duas na geladeira
E três vazias, na mesa.
Uma televisão ligada lá fora,
Um gol, gritos de vitória.
Um poeta pendurado por uma corda.
Um último poema ao fim de uma história.
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Desculpe por não ser o bastante.
Por continuar tentando, tentando... E errando mais.
Desculpe pelo incômodo de ocupar cada instante
Com afirmações que não servem mais.
Desculpe por corromper cada momento feliz
Com confissões vergonhosas.
Pelo que por impulso lhe fiz
Trazendo a nós mentiras honrosas.
Desculpe, meu amor.
Apenas me perdoe.
Por mais que a música do nosso amor
Não mais tão saudável soe.
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Não finja que acabou,
Que conseguimos seguir em frente.
Você sabe que mentir
Não ajudará a gente.
Quando eu chorei em seu colo,
Foi como se o fim já tivesse chegado,
Mas você sabe que não.
Não conseguimos abrir mão.
Eu te amo como o vento gelado de junho me castiga
Ao som de uma quadrilha.
Eu te amo como o frio me invade,
Como a pele congelada arde.
Não deixe que as memórias
Virem um mero borrão.
Você sabe, assim como eu,
Que não somos só uma canção.
Somos mais do que cartas gastas
Em uma gaveta maltrapilha.
Escrevo outro poema,
E o ponho no topo da pilha.
Sua letra instalou-se em minha memória
E nada a tiraria de lá.
Eu não consigo deixar
Tudo como está.
Eu te amo demais
Para desistir.
Por favor, releia as cartas
E me escolha, vamos fugir!
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Este lugar costumava ser amaldiçoado,
Mas isso foi antes de te beijar aqui.
Este lugar era marcado
Como o maior ponto de caos que já conheci.
Mas afastamos as bitucas de cigarro
E deitamos juntos nesse chão.
Enquanto você mexia em meu cabelo,
Resolvi pedir sua mão.
Agora amo estar aqui,
Mas só se você também estiver.
Não me imagino em um futuro
Sem você sendo minha mulher.
Eu sonho acordado
Em te acordar carinhosamente.
Daquele jeito não planejado
Em que nos beijamos loucamente
Depois de você me xingar
Porque faltam três minutos
Para o despertador tocar.
Mas eu precisava desses minutos.
Precisava te ver abrindo os olhos assim.
Depois de mil brigas e surtos
Percebi que você é a única que serve para mim.
Eu te amo tanto quanto Zeus era traidor.
Eu te amo tanto quanto o Jão é sofredor.
Eu te amo tanto quanto é alto o grito de um pastor
Da igreja universal.
Eu te amo mais do que você ama sal.
Eu te amo mais do que todas as nossas piadas são pesadas.
Eu te amo mais do que todas as nossas fotos são filtradas.
Eu te amo mais do que sabia que podia,
E agora sou inteiramente seu,
E quem diria?
Me apaixonei mesmo.
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Manchei minhas roupas
Com o sangue que você derramou.
Lavei meu rosto
Com as lágrimas que você compartilhou.
E agora estou aqui,
E nada entre nós restou.
Não adianta tentar restaurar
A confiança que se quebrou.
Como sempre, me deito aqui,
À luz da dor que você causou.
À sombra dos erros que cometi
E que você fingiu que perdoou.
Não te odeio
E ainda te amo,
Mas sinto a perda que a traição traz.
O ódio que eu não semeio
É o motivo pelo qual chamo
Por você, buscando paz.
Mas você preferiu outras companhias,
Juntou-se aos meus inimigos.
E jogou fora aqueles dias,
Que foram nossos preferidos.
Boa sorte com a nova vida.
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Você implica comigo a vida inteira.
Não posso ser o que quer.
Se "virar" homem é besteira,
Desculpe, mas não sei "virar" mulher.
Não sei como me olhar no espelho
E querer ver meus seios
Tão marcados na roupa.
Não sei não incluir em meus medos
Palavras femininas
Dirigidas a mim de sua boca.
Não sei não querer mudar meu corpo,
Mesmo o achando bonito e útil assim.
É como uma roupa de marca,
Cujo estilo não agrada muito a mim.
O que eu sei e me amar
Como o homem que assumi ser.
O mundo pode me odiar,
Mas eu escolhi viver.
Não à base das mentiras cruéis
Que um dia já menti.
E sim à base das bermudas
Que aos vestidos preferi.
Desculpe se seus filhos perguntam
Por que minha voz mudou.
Desculpe se sua mãe
Acha que Deus me abandonou.
Desculpe se você ainda espera
Que eu mude meu comportamento.
É tudo um puta desperdício
De compreensão, de amor e de tempo.
Me diga, então, o que eu fiz
Para que só você possa existir dessa forma.
Por que, menino cis, você diz
Que minha "rebeldia" te incomoda?
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Sinto saudade de quando você se importava
Com as coisas que eu fazia
E com as roupas que eu vestia,
Como se me amasse.
Sinto falta das discussões
Cheias de palavrões,
Que viravam declarações
Antes que eu me afastasse.
Sinto falta de sentir falta de nós dois,
Sinto falta de chorar por você.
Falta de sorrir depois
De notar que só você me vê.
Como uma corda muito fina, mas resistente,
Você é um fantasma em meu presente.
Eu errei, mas não me arrependo.
Acho que, no fundo, até que entendo.
O amor é revoltante.
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