melquilins @melkk
Ritual

Sagrada medicina

Escutei o chamado da floresta — A indomável disse-me: “Vem, participa da minha festa.” Pus-me pronto, fui-me. Deu-me um extrato, extraído dos teus átrios, ajuntado ao sagrado mato, retirado dos teus cabelos. Fusionados em fervura com teu sangue encantado, da raiz mais dura abriu-se o portal do outro lado. Bebi — e embebedei-me, porventura, embebedei-me de saber. No sagrado chão deitei-me, e logo voltei a ele ser. O fogo em brasa tinia Sente do abrigo ancestral. Tua luz minha alma aquecia, afastando de mim todo o mal. E a música outrora veloz tornava aguerrida a miração. Txana, com sua voz, agitava o meu coração. Na força, o eu me encontrava, pisando firme no astral. Meu ver à mata levava pelo caminho essencial. E tudo o que fora plantado sentia com exatidão — todo o meu corpo pisado, oh, que poder! Miração. O fogo em brasa tinia Dentro do abrigo ancestral. Tua luz minha alma aquecia, afastando de mim todo o mal. As notas, como chicotadas, tocavam meu corpo no chão. A força em mim habitava — tanto o pouco quanto a imensidão. E então... Chegou a hora da introspecção: minha cria em mim se deitava, protegida de qualquer invasão. Mas logo ali se quebrava o ovo da proteção. E o fogo — sua brasa esvaía pra fora do abrigo ancestral. E a luz da manhã que surgia, findava assim o ritual.

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