Descanse
Eu aprendi a sorrir quando era preciso, Mesmo sem vontade de ficar bem, A esconder o cansaço atrás do riso E dizer “não foi nada” para alguém. Aprendi que certas dores não têm nome, Só aparecem quando tudo está em paz, Quando a casa se cala, a noite consome E aquilo que escondemos volta atrás. Também descobri que a gente se acostuma A perder pessoas sem saber por quê, Algumas vão embora sem fazer espuma, Outras ficam perto, mas deixam de ser. Há conversas que morreram na garganta, Pedidos de desculpa que não chegaram, E palavras que a memória ainda canta De pessoas que um dia nos amaram. Às vezes sinto falta de quem eu era, Antes de entender demais sobre o mundo, Quando qualquer promessa parecia sincera E um abraço ainda curava tudo. Hoje eu sei que ninguém conhece ninguém, Que até quem nos ama pode não notar As guerras que travamos para ficar bem Enquanto dizemos que aprendemos a lidar. E talvez crescer seja exatamente isso: Continuar, mesmo sem saber o final, Carregar alguns pedaços do que foi perdido Sem deixar que eles definam o que virá. Então, se algum dia eu parecer distante, Não pense que deixei de me importar, Talvez eu só esteja, por um instante, Tentando aprender a não me abandonar. ᴍᴀᴠɪ`𝐒
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