Eu aprendi a sorrir quando era preciso,
Mesmo sem vontade de ficar bem,
A esconder o cansaço atrás do riso
E dizer “não foi nada” para alguém.
Aprendi que certas dores não têm nome,
Só aparecem quando tudo está em paz,
Quando a casa se cala, a noite consome
E aquilo que escondemos volta atrás.
Também descobri que a gente se acostuma
A perder pessoas sem saber por quê,
Algumas vão embora sem fazer espuma,
Outras ficam perto, mas deixam de ser.
Há conversas que morreram na garganta,
Pedidos de desculpa que não chegaram,
E palavras que a memória ainda canta
De pessoas que um dia nos amaram.
Às vezes sinto falta de quem eu era,
Antes de entender demais sobre o mundo,
Quando qualquer promessa parecia sincera
E um abraço ainda curava tudo.
Hoje eu sei que ninguém conhece ninguém,
Que até quem nos ama pode não notar
As guerras que travamos para ficar bem
Enquanto dizemos que aprendemos a lidar.
E talvez crescer seja exatamente isso:
Continuar, mesmo sem saber o final,
Carregar alguns pedaços do que foi perdido
Sem deixar que eles definam o que virá.
Então, se algum dia eu parecer distante,
Não pense que deixei de me importar,
Talvez eu só esteja, por um instante,
Tentando aprender a não me abandonar.
ᴍᴀᴠɪ`𝐒
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Eu fui sério por cinco minutos,
foi o máximo que deu pra aguentar,
o cérebro pediu assuntos mais curtos
e um sofá pra gente conversar.
Tentei pensar em algo profundo,
tipo o sentido real da existência,
mas o pão caiu no chão do mundo
com manteiga pra baixo — coincidência?
O gato me olhou com superioridade,
como quem paga imposto emocional,
dormiu vinte horas por necessidade
e eu chamei isso de plano vital.
Fui abrir o aplicativo da vida,
pra ver se atualizou a versão,
travou, fechou, pediu reiniciada,
e cobrou paciência no cartão.
O espelho me deu bom-dia torto,
disse “vai com calma, campeão”,
me chamou de herói meio desporto
por levantar sem motivação.
Prometi ser alguém organizado,
com listas, metas e direção,
mas perdi a lista, esqueci o recado
e achei biscoito — evolução.
Se tudo der errado, tá tudo bem,
erro também conta como tentar,
às vezes vencer é só rir de alguém
que no caso… sou eu, sem disfarçar.
Então sigo leve, sem explicação,
tropelando com certo talento,
porque se a vida não segue o roteiro, não:
eu faço piada do argumento.
Mavilyn :)
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Tu és como descanso depois do dia longo,
como sombra fiel quando o sol pesa,
teu nome repousa no ar como um salmo,
e teu existir sustenta a beleza.
Teus passos não correm atrás do mundo,
o mundo é que aprende a te esperar,
há firmeza mansa no teu modo profundo,
de ficar onde poucos sabem ficar.
A mulher que pousar o olhar em ti,
sentirá o chão firme sob os pés,
pois há abrigo no jeito que és,
e paz no silêncio que trazes a si.
Teu toque é promessa sem ser dita,
tua presença veste o espaço de calma,
quem se entrega a ti não se perde na vida,
antes encontra morada na alma.
És força que não precisa ferir,
fogo que aquece sem consumir,
e quem te ama aprende a florir,
sem medo de ser e de existir.
Não foste feito para ser troféu,
mas para ser casa e direção,
teu peito é porto teu gesto é fiel,
teu amor ensina o coração.
O tempo te reconhece sem pressa,
como vinho que aprende a esperar,
quem caminha contigo não tropeça,
pois há verdade no teu caminhar.
Se algum homem ler e o peito apertar,
saiba que isso é honra, não vaidade,
pois toda mulher que ousar te amar,
guardará teu nome como eternidade.
Mavilyn ✿
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O mundo anda lento, mas nunca descansa,
Gira pesado, como quem finge andar,
Promete futuro, mas cobra esperança,
E chama de rumo o simples continuar.
Tudo tem preço antes de ter sentido,
Até o que nasce pra ser simples e vão,
O excesso grita, o vazio é escondido,
E viver virou uma longa negociação.
Há gente demais falando ao mesmo tempo,
Poucos escutam, quase ninguém vê,
O barulho ocupa todo o espaço do tempo,
E o silêncio aprende a se encolher.
Os animais seguem sem pressa ou plano,
Habitam o agora sem querer mais,
Não disputam lugar, não sonham com o trono humano,
Apenas existem — e isso já basta demais.
O humano esqueceu quando foi abrigo,
Quando ficar junto não era esforço,
Hoje se protege chamando de perigo
Tudo que exige cuidado e reforço.
A injustiça cansa mais do que revolta,
Porque se repete sem pedir perdão,
Ela entra calada, senta, não volta,
E vira paisagem no coração.
Dizem que é assim, que não há alternativa,
Que o mundo é duro e não vai mudar,
Mas aceitar sem pensar, seguir no automático da vida,
É deixar de sentir pra não questionar.
Talvez o fim não esteja em guerra ou ruína,
Nem no caos que o mundo insiste em anunciar,
Mas nesse cansaço que cresce e contamina,
De existir todo dia sem realmente estar.
Mavilyn
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