Lúmen - sobre meu cansaço de um dia de out 2026
Para a mulher depois do expediente Hoje eu queria que alguém soubesse onde ficam as coisas. A água, o copo, a roupa de dormir, o lugar exato onde dói. Que não me perguntasse tudo. Que percebesse a luz incomodando e baixasse a luz. Eu tenho planos: uma casa que sustente outra, uma chave que abra um futuro em que eu possa adoecer sem fazer contas na cama. Mas nesta noite eu queria o pequeno: um prato guardado, um carinho demorado, alguém ficando depois do trovão. Há uma mulher aqui que sabe oferecer presença e está cansada de preparar sozinha o próprio acolhimento. Que ela possa dormir sem terminar o mundo. Que alguma coisa espere. Que amanhã haja espaço para um desejo que não seja uma obrigação. E que o amor, quando chegar perto, aprenda também a trazer água.
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