O medo
Que sempre esteve comigo
Causando-me tormento
Sendo meu melhor amigo
Nas madrugadas
Em silêncio, no escuro
Imaginando em anseio
De como seria o futuro
Sobre as falhas e fraquezas
Abandono e solidão
Vivendo refém das incertezas
Que alcançavam meu coração
Olhos atônitos
Fugindo de uma partida
Afligidos pela insônia - ansiedade
Temendo a despedida,
O desencarne.
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Estou de volta à comunidade. ✒️
Lhes farei denúncia
Desses olhos azul-mar
Que me contam embevecidos
O quanto estás a me amar
Com a ternura dos teus lábios
Seus beijos também me dizem
Da tentação que em ti desperto
Quando estamos em deslize
Teu peito em ansiedade
Quando afasta-se do meu
Recusa permanecer em saudade
Nesta tortura que o submeteu
Que há, que não me falas?
Escutar teu corpo não me convence.
Da tua boca preciso ouvir
Sobre teus quereres.
Teu orgulho não permite assumir,
Ou estás fabulando o que sente?
(17 de setembro, 2020)
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Não é sobre o que tenho
Disso eu sei e posso listar
É sobre de onde venho
E porquê...
Aonde irei chegar
Uma casa, identidade
Alguns amigos, ascendência
Recebi educação, viabilidade
Como em todos, competência
Se até aqui não fiz bastante
E tornei-me um "zé ninguém"
Me causando hesitante
Incapaz de ir além
E viver a vida como qualquer
A mendigar por compreensão
De quem me preenche dever
Sobrepondo minha inclinação
Como posso, então, ter tempo
Se ele foge de mim?
E não posso partilhar meu pensamento
De quem sou, desde da génese ao fim.
(Escrito em 01 de agosto, 2020)
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Entre o céu e o inferno
Entre a vida e a morte
Existe lugar certo
Para um sujeito sem sorte?
É o último suspiro
Arquejado pelo peito
Que ainda em leito,
Suplica por expiro.
Morre-se no crepúsculo
Para chegar ao alvorecer
Trajando sentimento esdrúxulo
De outra vez se fenecer
Entre devaneios,
Falece
E no prazer,
Permanece
Quando sucumbir
E não houver volta,
Enquanto os meus - em revolta,
Estarei, eu, em deleite?
Ou sendo punido pelo meu agir?
(01 de agosto, 2020)
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Sorriso de aparelho
Combinando com o sapato estiloso.
Era como se olhasse no espelho
E me visse em alguém do sexo oposto.
Seu hálito cheirava à café
Com doses de perfume barato
[no pescoço]
Não tive tempo de saber,
Em qual lugar comparecer.
Se o veria novamente,
Num dia qualquer,
Atrasando meus minutos
Inflamando à minha pose.
E se poderia, nessa chance,
Perguntar seu nome
Ou até, quem sabe,
Pedir seu telefone
E estender esse momento,
Numa noite...
Numa madrugada...
Qualquer que fosse a temporada.
Ou talvez fosse loucura.
Em outro dia,
Em outra rua,
Eu o veria
Em outra figura
Também me desejando bom-dia
E novamente cobiçando ser sua.
(Escrito em 31 de julho, 2020)
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A liberdade permite escolheres executar um pequeno ato impensado. E tornares o prisioneiro de uma grande consequência.
(Escrito em 19 de abril, 2020)
Despedi-me do verão
E férias outorgadas.
Evoquei a sensação
De frias madrugadas
Estação outonal
Descaso lesivo.
Um memorando infernal
Que se mantém vivo.
Tua robustez
Minhas moléculas fez agitar
Causando calidez
Por me agasalhar
Uma partida prematura
Sem alguma prevenção.
Enfrentar a noite dura
Sem a sua revelação.
(Escrito em 15 de abril, 2020)
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O cheiro de café e pão
Vindo da cozinha
Invade o meu olfato
Desperta-me de sonhos
E odores ferinos.
Quanto ao Sol irrompendo
As frestas da janela
E o badalar dos sinos
Duma velha igrejinha,
Que no morro, entre aranhas e morcegos
Vai permanecendo
E os comerciantes,
Abrindo as portas de suas instalações
Causando frenesim
Entre lojas, armazéns, alfaiatarias...
Crianças pela rua
Brincam de Cinco-Marias...
Ao logo do cais,
Barracas em diversas formações:
Legumes, grãos, farinhas...
Atraem olhares acanhados
O bramido dos feirantes
Mediante, necessitados
Se afreguesam das iguarias.
E assim se passam os instantes
Na cidadezinha do Porto.
À casa se vão,
Recolhidos num sono absorto
Dos serviços do seguinte dia.
(Escrito em 22 de janeiro, 2020)
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Haverão pessoas a preencher o seu vazio, enquanto outras, causarão.