Diálogo entre o Prazer e o Cruel
— Oi, tudo bem? Eu sou Cruel. — diz ele com um sorriso amargo. — E você, quem é? Com uma voz suave, quase sussurrada, ela responde: — Oi, sorriso que mente, eu sou o Prazer. Cruel estreita os olhos e, com uma risada fria, retruca: — Ah, você... o pecado dos amantes, o beijo febril, a razão das decisões insanas tomadas numa terça-feira à meia-luz. Prazer arqueia as sobrancelhas, sem perder a serenidade: — E você, Cruel, aquele que lança acusações que ferem e marcam, que agridem e sufocam, apenas para saciar a sede do rastro quente de uma lágrima escorrendo. Eles se encaram, o silêncio se esticando entre eles. — E juntos, o que somos? — pergunta Cruel, com uma faísca nos olhos. Prazer sorri, um sorriso que é dor e desejo misturados: — Somos êxtase.
Ronaldo Paulino
muito interessante gostei