O fantasma que eu chamava de amor
Você vinha como quem faz favor, e eu te recebia como quem recebe milagre. Sumia. Sem aviso, sem motivo, sem culpa. E eu ficava ali, refém do celular, inventando desculpas pra sua ausência, inventando defeitos em mim. Quando voltava, vinha frio. Metade carinho, metade desdém. Me dava migalhas e chamava de banquete. E eu, com tanta fome de você, agradecia. Você me fazia acreditar que o problema era eu ser demais. Demais intensa, demais carente, demais. Quando na verdade você é que sempre foi de menos. Hoje eu sei: você não sumia porque estava ocupado. Sumia porque sabia que eu ficaria esperando. E eu ficava. Que dor amar alguém que só aparece pra lembrar que nunca ficou de verdade.
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