Você nunca existiu de verdade
Você foi alguém inventado e fantasiado
Sempre fingindo e sempre mentindo
E querendo ver meu fracasso
Não sei o que te fiz,só sei que me perdi e no meio do caminho dormi e quando acordei já era o fim
Se até o desprezo tem que ser recíproco, imagina o amor
Viva o amor
Mas não morra de amor
Do que adianta você viver em uma mansão,
se você é feliz em uma simples cabana?
Às vezes, só dinheiro não compensa.
Tem amores que não passam.
Mudam de lugar dentro da gente,
mas não vão embora.
O seu foi assim.
Fez morada no meu peito
e mesmo depois do fim,
deixou a luz acesa.
Não foi perfeito,
mas foi verdadeiro.
Não foi pra sempre,
mas foi inteiro.
E eu ainda te encontro
em música antiga,
em cheiro de chuva,
em madrugada sem sono.
Algumas pessoas a gente supera.
Outras, a gente guarda.
Você foi daquelas que a vida
não me deixou esquecer,
porque amar você
foi aprender a amar de verdade.
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Você vinha como quem faz favor,
e eu te recebia como quem recebe milagre.
Sumia.
Sem aviso, sem motivo, sem culpa.
E eu ficava ali, refém do celular,
inventando desculpas pra sua ausência,
inventando defeitos em mim.
Quando voltava, vinha frio.
Metade carinho, metade desdém.
Me dava migalhas e chamava de banquete.
E eu, com tanta fome de você,
agradecia.
Você me fazia acreditar
que o problema era eu ser demais.
Demais intensa, demais carente, demais.
Quando na verdade
você é que sempre foi de menos.
Hoje eu sei:
você não sumia porque estava ocupado.
Sumia porque sabia que eu ficaria esperando.
E eu ficava.
Que dor amar alguém
que só aparece pra lembrar
que nunca ficou de verdade.
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Você me ensinou a chamar de amor
o que era só medo de ficar sozinha.
Me fiz pequena pra caber no seu gosto,
me desfiz inteira pra você não ir embora.
Eu ficava,
mesmo quando doía.
Eu pedia desculpas,
mesmo quando não era eu quem machucava.
Era como se meu peito
só batesse se você autorizasse.
Como se meu riso
precisasse do seu aplauso pra existir.
Hoje eu entendo:
não era amor.
Era algema dourada.
Era sede achando que era poço.
Estou aprendendo a me ter de volta,
a me abraçar sem pedir permissão.
A não chamar de lar
um lugar onde eu preciso implorar pra ficar.
Que eu nunca mais confunda
corrente com carinho,
e falta com destino.
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E quando o passado te ligar
Mande ele pra puta que pariu .
Faz frio lá fora
e mais frio ainda aqui dentro,
onde você não ficou.
Alguns amores
não vêm pra ficar a vida toda.
Vêm pra ensinar a gente a se aquecer sozinha.
Vêm como geada —
bonitos, cortantes,
passageiros.
E a gente ama assim mesmo,
com as mãos trêmulas,
sabendo que vai derreter.
Mas o que esquenta de verdade
é o que fica depois:
eu, comigo,
inteira,
mesmo no frio.
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O frio chegou manso,
pediu licença na janela
e ficou no meu peito.
Tudo silencia no frio.
Até a saudade fala baixo.
E eu me encolho inteira,
pra caber no abraço
que não tenho.
Sobre amores que não são pra vida
Tem amor que não é pra vida,
é pra estação.
Ele chega, bagunça,
ensina, dói
e vai.
Não era pra durar.
Era pra acordar.
E tudo bem.
Nem tudo que é amor
precisa ficar.
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