Corro, então, a favor do tempo,
do vento, do pensamento.
Em um baú do passado,
guardo um único lamento.
Fiz do agora um novo dia,
danço a dança de Sofia.
Entre o caos e o sentido,
me refaço — renascido.
Cansado do gosto amargo e gasto,
quero o mel mais doce.
Dormir o sono do justo,
como inocente fosse.
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Até aqui a estrada foi amarga,
Não se vence toda batalha.
Quebrado, sim — e talvez louco.
É a hora de um novo começo.
Carrego a dor como estandarte,
existe tempo — nunca é tarde.
Vou resistir e ser criança.
Do que sofri, quero a lembrança.
Ergui da queda em voz ativa.
Quem me acha fraco, não sabe nada.
Do abismo, trago a prova máxima:
Enquanto houver música, nossa dança não para.
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Sente o beijo do leproso no pescoço —
a pequena morte que antecede o gozo;
perfume para os pés, banquete para poucos.
Aceita o conhecimento do louco:
a soma do saber entristece a todos.
Saiba que sou interdito,
proibido do ofício litúrgico;
um corpo que sangra no presbitério.
Sente o calor do ato sagrado,
o prazer da culpa e do profano.
O sacrário dourado guardou um segredo —
nenhum diácono
viu meu sínodo cadavérico.
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Eu, amo de um jeito arcaico,
com cuidado apotropaico.
E, se um dia a sorte virar,
te guardo em meu patuá.
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Fiz morada entre rios de duas cores,
estou sujeito aos seus humores.
Cavei canais até nossa casa,
semeei na terra grãos e palavras.
Brotou do solo algo fértil,
rico em cores e odores.
Desceu do céu algo débil,
e transformou tudo em horrores.
Ontem o rio transbordou em dilúvio,
hoje secou e fez pó meu mundo.
Ontem a água fluiu através do canal,
hoje matou tudo com sal e metal.
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E eu que sou menino,
genioso e impulsivo,
guardo pra ti um sorriso
mesmo nos dias mais sombrios.
O que são as paredes da consciência,
se não uma prisão?
Não aceito suas regras escritas em pedra.
Não aceito suas correntes em minhas pernas.
Não — irei ser explosão e expandir para além,
para além do infinito.
Apagarei Zeta Reticuli do mapa.
Romperei os limites dessa galáxia.
Desvelarei a farsa.
E nada mais vai me conter.
Nenhuma linha diz que medo é parte do contrato.
Eis um novo fato:
Mudarei as cláusulas do pacto.
Feito o exército vermelho;
Primeiro resistir
depois —
tomar Berlim.
Vou lutar até o fim
Vou fluir.
Sem desculpas por existir.
Sim — vai ser assim.
Suas mentiras não vão apagar
a singularidade em mim.
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Eu sinto tudo e tudo me afeta,
o que mais posso ser além de poeta?
Às vezes dói o peito, a garganta aperta.
E você não é bem vindo na minha festa.
E por mais que o mundo não esteja comigo
Isso não significa que eu esteja errado.
Sou assim: Irredutível no que acredito.
Destinado a ser bandido e clandestino.
"Hay que endurecerse pero sin perder la ternura"
Só abaixo as armas quando Selena me abraça,
quando a ruiva conta uma piada,
quando Mayumi prova(va) que me é mais esperta, ou quando a Laura usa lingerie de renda.
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Cansei de dar tudo pra gente ruim,
agora vai ser assim;
Todos os perdões que te cedi,
eu vou pegar pra mim.
Ofereci tanto que quase sumi,
eu engulo o choro e você sorri.
Vi, na sombra da face serena,
sorriso e intenção de hiena.
Com mentira seduz e aliena,
se alimenta da carne ferida.
Contra a mão que afaga e cuida,
escarnece, morde e envenena,
delicia-se com sangue que pinga —
me lambe o resto da vida.
Malfeitora, canalha, bandida,
sedutora, perversa, linda;
subjuga a jugular com a mordida,
devora sua presa rendida.
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