Quase
Quase tão boa, quase a mais bonita, quase inteligente, quase a escolhida, quase a desejada. Mas nunca desejada, nunca a prioridade, sempre a esforçada, nunca boa o suficiente de verdade. Sempre a desobediente, nunca a compreendida, sempre tentando ser bastante pra quem nunca a fez sentir-se querida. Sempre a poeta, nunca a poesia, sempre a artista, nunca o quadro. Sempre escrevendo sobre a alegria, enquanto esconde o próprio desamparo. E, no fim, entre tantos quases e tentativas, só queria ser o bastante sem precisar mudar a própria vida.
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