A voz que eu evito ...
Em uma madrugada qualquer, me deito na cama e você pergunta baixinho: – E aí… como anda a vida? — Ah… indo. Caindo, tropeçando, quebrando a cara às vezes… – mas nunca parando, né? — É… acontece. – Acontece? Ou você só repete isso pra dor não parecer tão grande? Talvez essa seja sua maneira favorita de romantizar o caos, de transformar cicatriz em poesia e tristeza em algo “bonito” aos olhos. Porque, fala sério… você sofre como quem escreve arte. Como se cada lágrima fosse virar verso mais tarde. E talvez vire mesmo. Porque parece que é só assim que a sua dor respira sem acabar te destruindo por dentro. Mas sabe o que eu acho? Que você sente demais. Carrega dores que nem são suas, abraça o mundo inteiro e depois se pergunta por que ninguém percebe o peso nas suas costas nuas. Talvez você devesse se escolher mais. Ser um pouco menos coração e um pouco mais egoísmo. — Egoísmo? – É. Porque essa sua mania de salvar todo mundo enquanto afunda sozinha não é bondade. É autodestruição com nome bonito. Então me responde, minha querida: você quer viver a vida ou só sobreviver aos dias? Porque viver sorrindo o tempo inteiro, sendo calma, paciente e compreensiva, enquanto sua mente desaba em silêncio… não é bondade isso se chama alto sabotagem É cansaço fingindo estabilidade. — Espera… quem é você? - Ué… ainda não percebeu? Eu sou a parte de você que cansou de ser forte o tempo todo. A voz que você transforma em poema porque tem medo de escutar no silêncio. - ?¿
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