Os playboy não sabem o que é luta, meu irmão.
Não sabem o que é sentir fome, não sabem o que é um ônibus lotado depois de um dia exaustivo de trabalho.
Não sabem nada sobre o corre, nada sobre a malandragem, nada sobre 08h de trabalho pesado.
Os playboy não sabem nada sobre o pedreiro construindo um barraco, nada sobre a lama nas ruas sem asfalto, do esgoto a céu aberto.
Não sabem nada sobre lutar pra conquistar o que se quer
Que na luta temos que nos desdobrar entre 08h de trabalho, 2h de ônibus e depois estudar, dormir 8h por noite, achar tempo pra cuidar da saúde.
Não sabem nada sobre ter que abrir mão das vestimentas pra comer melhor, que as roupas simples e baratas vestem do mesmo jeito, que o tênis sem marca também faz caminhar.
Não sabem nada sobre desigualdade, nada sobre ter que começar a trampar cedo, que o dinheiro nunca dá pra nada.
Não sabem o que é ir na unidade básica e ficar numa fila de espera interminável.
Não sabem que arroz é feijão é o nosso cardápio diário, que quando dá se come carne.
Os playboy não sabem nada sobre lutar, nada sobre fome, nada sobre ralar.
Não sabem que esse papo de meritocracia é só pra quem é filho do dono ou puxa saco de patrão.
Que quem faz o corre sem parentes importantes e sem grana no banco é muito mais difícil de chegar.
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Desculpa mãe, mas tive que matar alguns sonhos para sobreviver.
Algumas coisas tiveram que ficar no caminho.
Veja, estou aqui tendo que vencer esse cara do outro lado do espelho.
Olhe só como cresci, agora posso ir chorar no meu quarto no escuro.
Sabendo que amanhã tenho que enfrentar mais uma luta incessável
Tendo que vencer esse cansaço que tenta me derrubar
Vou vencer, acredite em mim, olhe só como eu estou grande e posso sorrir, só não sou alegre.
Não faz mal esse sangue no canto da boca e esses hematomas é que tenho que vencer esse combate cotidiano.
Estou firme, olha só, estou crescendo e já sei andar de bicicleta sem as mãos.
Estou na luta, deixando alguns sentimentos pelo caminho, sentido o cansaço cada vez mais. Estou firme, olha só, aguento mais um pouco, deve haver alguma coisa pela qual valha estar vivo.
Desculpa mãe, mas tive que matar alguns sonhos para sobreviver, e foi em legítima defesa
Eu precisava continuar vivo.
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Velhas escolhas não geram o novo.
Todo fim tem um novo começo
Não é só trocar o calendário
Ou traça novas metas
Precisa fazer diferente
Ou será mais do mesmo
Velho ano
Que tempo há para viver?
Se nesses tempos modernos somos acelerados num ritmo frenético e não sobra tempo para pensar. Nós operários somos como Sísifo, empurramos a pedra até o topo da montanha e ela volta a cair repetidamente pela eternidade. O nosso castigo é empurrar a esperança até o topo da montanha e ela volta a cair todos os dias depois que percebemos que esse será a eternidade do operário.
Cadê? Por quê? Será?
O que acontece quando o café acaba e o cigarro se apaga?
Onde foram parar as estrelas cadentes?
Por que o mar não tem ondas leves?
Cadê o arco-íris depois da tempestade?
As perguntas são as mesmas a vida toda!
Cadê? Por quê? Será?
Onde foi parar aquele avião no céu?
Onde foram parar os sonhos de criança?
Qual era o melhor caminho?
Qual era o amor certo?
Será que fui o que tanto sonhei?
Levanto, acendo a luz para ver meu rosto no espelho.
Cadê a felicidade?
E todas as promessas se vão
O dia surge sem nada
Do que prometeram
E a pergunta retorna...
Cadê? Por quê? Será?
Mas, tudo bem!
Talvez um dia entenda tudo isso ou leve comigo para o túmulo.
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A despedida nos olhos
Um adeus no rosto
Uma saudade em cada esquina
Todos os dias é primavera
Florindo até os sonhos
Já esquecidos no fundo
Do armário
Tua presença é sempre meu abrigo, assim como dois amigos, te confidencio meus medos
Ao teu lado gosto de caminhar lento, de sentir tua mão apertando a minha, tua presença enche minha vida.
Se um dia duvidei do destino, quando tudo estava perdido, e agora, essa mudança repentina
Um caminho entrelaçado no outro
A andar de mãos dadas.
Não quero saber de mais nada, que não seja o teu amor, que não seja o teu abraço
Quero a vida ao teu lado.
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Não ergo a caneta para escrever um só verso
Que não passe pelo coração