Efemeridade
Hei de tolher a corola instante a luz abatida E despontar do ventre da terra a semente, Como quem morre no materno ventre, E nasce da estreita, soturna e mortífera vida. O ribeiro que trespassa cabisbaixo sua ida, Breve perde-se pela dourada nascente, Que, com os olhos cegos, falece silente. Portanto, outra vez o ribeiro se fartará de vida. Vaga-lumes em eclipse, outros pósteros brasentes. Um pássaro abre soada, outro finda sua cantiga. O fio de ouro da gramínea cai na terra abatida. Portanto, outra vez renascerá o sol candente. Lara Rebeca Andrade
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.