Não morras
Muitas vezes sorrindo me perguntas: Se eu morrer hoje, meu querido amigo, Fazes-me uns versos, fazes-me um artigo? E eu te respondo:— As duas coisas juntas No entanto fel, ao meu pecado ajuntas Se assim te pões a gracejar comigo. Não poderia ver o teu jazigo, Como o jazigo vi de mil defuntas! Ai! não, não morras, palida formosa, Porque a morte inimiga escura e fria, Fora indiscreta, fora temerosa! Se tu morresses, eu também morria, E a minha dor, acerba e escandalosa, O teu cadaver comprometeria! Arthur Azevedo
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