És dos céus o composto mais brilhante
Marília, nos teus olhos buliçosos
Os Amores gentis seu facho acendem;
A teus lábios, voando, os ares fendem
Terníssimos desejos sequiosos.
Teus cabelos subtis e luminosos
Mil vistas cegam, mil vontades prendem;
E em arte aos de Minerva se não rendem
Teus alvos, curtos dedos melindrosos.
Reside em teus costumes a candura,
Mora a firmeza no teu peito amante,
A razão com teus risos se mistura.
És dos Céus o composto mais brilhante;
Deram-se as mãos Virtude e Formosura,
Para criar tua alma e teu semblante.
Bocage
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Recado aos companheiros distantes, de Cecília Meirelles
Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.
Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.
Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.
Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.
Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.
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De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius De Moraes
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Com tema de Tupan-Sete
Aqui, o Corvo azul da Suspeição
apodrece nas frutas violetas,
e a Febre-escusa, a Rosa-da-infecção,
canta aos Tigres de verde e malhas-pretas.
Lá, no pêlo de cobre do Alazão,
o Bilro-de-ouro fia a Lã-vermelha.
Um Pio-de-metal é o Gavião
e são mansas as Cabras e as Ovelhas.
Aqui, o lodo mancha o Gato-Pardo:
a Lua esverdeada sai do Mangue
e apodrece, no Medo, o Desbarato.
Lá, é fogo e limalha a Estrela-esparsa:
o Sol-da-morte luz no sol do Sangue,
mas cresce a Solidão e sonha a Garça
Ariano Suassuna
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Muitas vezes sorrindo me perguntas:
Se eu morrer hoje, meu querido amigo, Fazes-me uns versos, fazes-me um artigo?
E eu te respondo:— As duas coisas juntas
No entanto fel, ao meu pecado ajuntas
Se assim te pões a gracejar comigo.
Não poderia ver o teu jazigo,
Como o jazigo vi de mil defuntas!
Ai! não, não morras, palida formosa,
Porque a morte inimiga escura e fria,
Fora indiscreta, fora temerosa!
Se tu morresses, eu também morria,
E a minha dor, acerba e escandalosa,
O teu cadaver comprometeria!
Arthur Azevedo
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"Não sei como há no mundo quem suporte
A ingratidão de uma mulher querida!
Ressai todos por alma do suidda:
O esquecimento vem buscar na morte."
Escreveu isto um reprobo da sorte,
E no meio do chão rolou sem vida,
Ferido do revólver homicida
Que comprara na vespera ao Laporte.
"É sempre um pulha o tipo que se mata," Entre um anúncio e descrição de um rolo, Disse não sei que redator charlata.
Eu, procurando frases de consolo,
Fuí a noticia dar a ingrata; a ingrata
C'um gesto de hombros murmurou: — Que tolo!
Arthur Azevedo
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Fanatismo
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."
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Olha que poema lindo❤️❤️
Quando a seiva da carne perfumosa
Protubera-se em conchas ofegantes,
Os seios da mulher são como errantes
Aves do céu com bicos cor de rosa.
Pomos com fibra de cetim, inconhos,
São quando a virgem na cerúlea estância,
Rompe o casulo lirial da infância
Para ser Clóris de um pomar de sonhos.
Mas, quando, ó nume da paixão, os mundos
Aos olhos frágeis dos mortais desvendas,
Cheios de sedução fecundos;
Eles, qual fruto tentador das lendas,
São dois abismos santamente fundos,
Dois assassinos no grilhão das rendas.
Rodrigues De Carvalho
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"A uma senhora que o autor conheceu no Rio de Janeiro e viu depois na Europa"
"Na idade em que eu brincando entre os pastores
Andava pela mão e mal andava,
Uma ninfa comigo então brincava
Da mesma idade e bela como as flores.
Eu com vê-la sentia mil ardores.
Ela punha-se a olhar e não falava;
Qualquer de nós podia ver que amava,
Mas quem sabia então que eram amores?
Mudar de sitio à ninfa já convinha,
Foi-se a outra ribeira; e eu naquela
Fiquei sentindo a dor que n'alma tinha.
Eu cada vez mais firme, ela mais bela;
Não se lembra ela já de que foi minha,
Eu ainda me lembro que sou dela!..."
-Basílio da Gama
Já conhecia este poeta do arcadismo?? Soneto lindo, né?!
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Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto Dos Anjos
Amo de mais esse poeta e vocês?
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