Alana Vitória @lanavitoria

O que o céu me ensinou na chuva

Eu passei a vida inteira olhando pro céu como quem pede colo. Perguntando por que tanta coisa pesa, por que tanta gente vai, por que alguns sonhos voltam molhados e outros nunca chegam. E o céu nunca me respondeu com palavras. Ele me respondeu com chuva. Chuva que cai sem pedir licença, que bate na janela igual saudade antiga, que lava a calçada, mas antes encharca o peito. Chuva que me obrigou a ficar em casa, dentro de mim, ouvindo o barulho que eu fazia pra não ouvir o silêncio. Foi numa dessas noites que a lua apareceu. Não inteira. Quase partida, torta, de canto. E mesmo assim, iluminando tudo. Foi quando entendi que a gente não precisa estar completo pra ser luz na vida de alguém. Que dá pra brilhar até quebrado. As estrelas então vieram. Milhares, caladas, distantes. Nenhuma delas brilha pra ser vista. Brilham porque não sabem fazer outra coisa. E eu, que passei tanto tempo me medindo, me cobrando, me escondendo, percebi que talvez o sentido seja esse: ser, sem precisar provar. E a escuridão... Ah, a escuridão. Todo mundo tem medo dela. Eu também tinha. Até entender que a escuridão não é castigo. É ventre. É onde tudo recomeça. É onde a semente racha no escuro pra virar árvore. É onde eu rachei pra virar gente de novo. Hoje eu não tenho medo de noite fechada. Porque eu sei que por cima da chuva, existe céu. Por trás da nuvem, existe lua. Mesmo quando não vejo, existem estrelas me guardando. E se agora tudo parece escuridão, não é porque acabou a luz. É porque meus olhos ainda estão aprendendo a enxergar no escuro.

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