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KIKA

@kika · desde 2018

"Nem tudo que reluz é ouro"

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Uma carta aberta

UMA CARTA ABERTA Por muito tempo, achei que eu era o problema. Acreditei que precisava mudar, ser mais bonita, mais interessante, cuidar mais de mim… Sempre existia um “se eu tivesse… ” para justificar aquilo que me machucava. Eu me diminuí para caber no ego de alguém. Fui esposa, virei mãe e, sem perceber, comecei a questionar até o meu próprio valor. Um dia, fui embora. Recomecei. Depois, a vida me apresentou um novo amor. Foram 17 anos, dois filhos, carinho, cuidado, aprendizado e uma versão de mim que eu ainda não conhecia. Pela primeira vez, me senti segura. Perdi a timidez. Aprendi a me enxergar como mulher. Mas nem tudo foi perfeito. Vieram as dúvidas, os olhares, as buscas por outras mulheres e as palavras que me faziam acreditar que tudo estava apenas na minha cabeça. E eu fiz aquilo que já conhecia tão bem procurei o defeito em mim. No corpo. Na idade. Na aparência. Em tudo. Até que um dia eu cansei. Não da vida. Não de mim. Cansei de me abandonar para ser suficiente para alguém. Parei diante do espelho e, dessa vez, não procurei defeitos. Eu vi uma mulher. Linda. Viva. Saudável. Determinada. Forte. Vi alguém que passou por dores, decepções e recomeços e ainda assim continuava de pé. Naquele dia, eu não chorei. Não implorei. Não me diminuí. Eu me escolhi. E então entendi, Eu nunca fui insuficiente. Eu apenas insisti em lugares onde precisava provar o meu valor. Hoje não me arrependo de ter amado. Carrego comigo o que aprendi. Porque algumas páginas da vida não existem para nos destruir. Existem para nos mostrar quem somos quando finalmente paramos de aceitar menos do que merecemos. E talvez essa seja a página mais importante da minha história não a página em que alguém me escolheu, mas aquela em que finalmente eu escolhi a mim. Foi ali que nasceu uma nova mulher. Não perfeita. Não intocável. Mas consciente do seu valor. Eu não perdi quem eu era. Eu finalmente me encontrei. Kika.m.m

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EM MÉMORIA GUSTAVO

GUSTAVO O MENINO QUE TINHA HERÓIS, Gustavo, meu menininho, tão pequenininho... Seu sorriso escondia uma verdade difícil de compreender, a história de um herói que, na realidade, teria se tornado vilão. Nas suas brincadeiras, você dizia amar o Homem aranha e que ficaria forte como o Hulk. Mas o que deveria ser seu maior herói não eram seus brinquedos, nem suas fantasias. Era para ser seu pai. Porque toda criança se espelha em um pai herói. Um pai que protege, que ama, que luta por seu filho. Mas, Gustavo, se as acusações forem confirmadas, o que deveria ser proteção teria se transformado em medo. Não era ficção. Não havia máscara. Era a realidade. Como pode um adulto ser tão cruel diante de uma criança tão pequena, que mal conseguia compreender e expressar tudo aquilo que sentia? Nem os vilões dos quadrinhos deveriam ser capazes de assustar como aquilo que uma criança pode encontrar na própria realidade. Gustavo queria apenas brincar. Em uma mão, o Hulk. Na outra, o Homem aranha. E no seu pequeno coração, talvez apenas o desejo de toda criança, ter um pai de verdade. Um pai que o defendesse. Um pai que o amasse. Um pai que fosse seu herói. Gustavo, que sua história não vire apenas filme, nem documentário. Que ela seja lembrada toda vez que um juiz precisar decidir sobre a vida de uma criança. Que seu nome vire mudança. Que seu nome vire proteção. Que seu nome vire lei. Você não teve o herói que esperava dentro de casa, mas tinha seus heróis nas mãos. Hoje, dizem que você ganhou a força do Hulk e deixou uma teia como a do Homem aranha, porque sua história alcançou milhares de pessoas. Gustavo, seu nome jamais será esquecido. Que sua pequena história se transforme em força. Gustavo, você acabou se tornando o nosso herói. O herói de todas as crianças. Kika M.M.

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Sociedade

Entre o criador e o homem

Entre o Olhar e o Tempo O incrível é sentar-se num simples banco de madeira e, enfim, observar. O balançar das árvores, o cair das folhas, o sol tocando a pele… E lá embaixo formigas carregando mundos, quase invisíveis aos olhos apressados. Vivemos distraídos, presos ao que não é natural. Mas quando paramos..o incrível acontece, as nuvens desenham o céu, os pássaros ainda cantam, e o tempo… parece esperar. Entre o que Deus criou e o que o homem construiu, seguimos assim: querendo parar o tempo, enquanto o vivemos sem perceber. Kika.m.m

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A "casa" sem teto

Quando o vento começa… ah, esse vento tão sutil no prenúncio, quase inofensivo aos olhos desatentos. Apresso-me em cerrar as janelas, num gesto que oscila entre prudência e ilusão, como se o exterior pudesse, de fato, ser contido. Mas eis que, sem anúncio, irrompe um vendaval intempestivo, não apenas contra as paredes, mas contra aquilo que, em mim, julgava inabalável. Portas cedem, estruturas vacilam, e o que antes era ordem dissolve-se em um turbilhão silencioso e íntimo. Curioso… é no instante em que a calmaria se insinua que percebo: nada está verdadeiramente intacto. E então como se não bastasse ergue-se nova força, mais densa, mais indômita, a qual não ouso nomear, mas apenas suportar. Resta-me, pois, não o controle este já me escapou mas a contenção possível, o respirar contido entre ruínas invisíveis, e a espera… sempre a espera, de que, em algum momento, tudo torne a aquietar-se. (Kika.m.m)

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Entre sorrisos e silêncios

Sempre com um sorriso aberto, Sempre pronta a estender a mão, Sou a primeira a incentivar sonhos, Acolho corações com o meu coração. Carrego dentro de mim alegrias, E espalho luz por onde vou, Mas no fundo, em meu silêncio, Guardo dores que ninguém notou. Às vezes me sinto só, perdida, Mas sei que não estou, não de todo, Meus filhos me olham com amor, Deus me guia e me mantém no colo. Há alguém que todos os dias me vê, Que me lembra que mereço amar, E a família é meu abrigo constante, Um lar que me ensina a caminhar. Entre sorrisos e silêncios, Entre dores que não conto, Sou feita de força e ternura, Sou vida, sou 💛 (Kika.m.m)

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Silêncio

Engolindo traumas

Uma dor no peito, irradiante, Roubou me o ar, tão sufocante. Lembranças da infância, um temporal, Assombram meu ser, num ciclo fatal. Me vejo no espelho, despida de paz, Unhas na face, um gesto voraz. Lágrimas ardem, meu peito explode, Coração grita, mas ninguém responde. Entro no mundo que um dia criei, Queria ser criança… onde me deixei? Não mereço filho, nem amor, nem abrigo, Só o sono eterno, calado e antigo. A dor que carrego, eu não consegui conter, Transbordei no silêncio, fiz meus filhos sofrer. Meu trauma, sem freio, virou tempestade, E feriu o que amo com toda verdade. Isso me destrói, me parte ao meio, Sou furacão, sou perda, sou receio. Me vejo culpada, me vejo arrasada, Por ter deixado a dor ser herdada. Momentos terríveis voltam sem fim, O corpo grita, há manchas em mim. Arranquei meus fios num ato de dor, Horas me vi sem rosto, sem cor. Aprendi a me conter na escuridão, Mas falhei com quem mais tinha em minha mão. Não controlo o que vai além de mim, E isso dói mais do que qualquer fim. Sou erro, sou mãe, sou mulher em pedaços, Que ainda sonha com recomeços e abraços. Não peço perdão ao vento ou ao céu, Peço força pra não ser mais réu. Se um dia houver cura, que venha com amor, Pra eu ensinar o que não fui flor. E que meus filhos, mesmo em dor, Saibam que tudo o que fiz… foi por amor. Kika.m.m

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Família

NOMEADA MÃE

á 22 anos, comecei a ganhar uma companhia. Foi algo tão profundo que, por um período, compartilhamos os mesmos batimentos cardíacos e dividimos os mesmos espaços. Essa companhia me fez escolher roupas, cores, decorações e programar momentos de diversão. Ela me fez chorar, sorrir e, principalmente, lutar por coisas que eu nunca imaginei. Ela me ensinou a ser mais organizada, me trouxe postura e responsabilidade. Então, eu ganhei um nome. Mas, antes disso, fui eu quem deu um nome a essa companheira que eu ainda não conhecia, mas já sabia que jamais abandonaria. Era impossível deixá-la para trás. Não havia lugar para onde eu pudesse ir sem ela. Fui nomeada MÃE Kika.m.m

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Um sentir diferente de uma pessoa não diagnostigada

" Um sentir diferente De uma pessoa não diagnosticada" Aprendi, bem devagar, que abraçar nem sempre é ruim só precisava de tempo, de segurança, de não ser forçado.Não gosto de comemorar meu aniversário, às vezes, Todos os olhos em mim. Esperando uma reação. Um sorriso. Um agradecimento, é uma tortura sem fim, dar retorno de afeto que, naquele instante, eu não consigo oferecer. As lembranças da infância invadem minha mente, as emoções se misturam com sons, imagens, sensações que me escapam do controle. Não é falta de alegria. É só que o excesso de tudo me desmonta. E aí, eu só queria me esconder. Ou, quem sabe, entender. Descobri que ouvir demais me cansa, que certos barulhos me afogam. Que beijos no rosto em cumprimentos me invadem e que tudo bem não gostar, desde que eu respeite, e também seja respeitado. Atender o telefone me congela. O toque, a espera, o improviso… É como se o mundo gritasse dentro de mim. Festas em lugares desconhecidos, onde não tenho controle, me trazem ansiedade, nervosismo, e uma multiplicação de sentimentos que eu nem sei explicar direito. E mesmo os convites mais especiais podem, às vezes, me causar estresse. Não é falta de carinho, é só que tem dias em que o mundo me pesa, e qualquer expectativa vira tempestade por dentro. Aprendi que falar tudo o que penso pode parecer sinceridade, mas exige cuidado. Empatia é silêncio também. É pausa. É olhar o outro com ternura. Ouvir histórias me muda. E quando sou grossa, bruta, nem sempre é sobre o outro… é só um grito que ficou preso por dentro. Olhar nos olhos ainda assusta. Mas também encanta. É difícil, mas bonito. Traz um tipo de esperança que não tem som, mas que se sente. Talvez meu jeito de aprender seja outro. Mais lento. Mais calado. Mais visual. E está tudo bem. Com o tempo, também aprendo o que pra você é simples mas pra mim, é uma conquista. E o mais bonito de tudo: descobri que, quando encaro o desconhecido, eu saio do conforto. E é aí que eu cresço. Mudo. Me torno mais eu. KIKA.M.M

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virus

Minha liberdade roubada pelo covid 19 Ando mascarado e desconfiado deixei meus abraços guardado neguei meu beijo disse nao aceito para um aperto de mão eita dor no coração fiquei em casa não sou bombeiro nem médico para uma vida salvar nem o tio da padaria ,nem a tia da cantina ,nem o lixeiro e muito menos o caminhoneiro na dúvida lavei a mão com sabão e aqui na rua não há cidadão sendo mentira ou não previro nao arriscar pois desse corona vírus não quero eu pegar Se eu espirrar melhor me afastar o melhor mesmo em casa ficar pouco sei mas se a higiene eu cuidar esse vírus posso eu me livrar e minha família salvar pandemia que me fez se isolar e essa quarentena que muito anos irei me lembrar (kika.m.m)

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voz

chamava pela mamãe gritava desesperada era uma menina inocente que chamava por socorro hoje com 16 o segredo que mantive precisei contar pois minha mae poderia nao acreditar que quando ela me deixava com quem dizia me amar era na verdade o que me vez calar meus traumas meus medos meus gritos da madrugada era uma voz calada no meu namoro assumido e completo de compreensão desabafei pois no ato da relação me sentia oprimida e com pânico ! hoje tenho comigo a fala e principalmente o apoio de meu namorado de ter a voz dizer que eu fui mais uma vitima do abuso sexual (kika.m.m)

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