Fantasma vivo
Eu já sabia do fim, nós duas sabíamos. Ele nos rondava como um fantasma vivo que tinha medo da própria assombração. Parecia que o fim tinha medo do fim. Nosso amor, tão ingênuo e voraz, que até o ódio tinha inveja. Eu tento te odiar, olhar para tudo como se fosse nada, enfiar minha mão no peito e arrancar esse amor, arrancar você de mim. Mas você está em tudo. Tudo que vejo, sinto, ouço, toco, Lembro Esqueço Você é meu fantasma vivo. E eu rezo para que um dia você apareça para mim, que pare de rondar os cômodos da lembrança e me lembre como é sentir o corpo arrepiar. Eu não ouço seus áudios, mas ouço sua voz na minha cabeça, como uma música dramática que me faz chorar. Você me faz chorar. Eu não consigo lembrar de você sem que uma lágrima sequer escorra pela ladeira do meu rosto, sem que eu sinta o amargo da saudade. Essa falta. Esse vazio quase algo que se estende por todo o meu ser, com um ponto de interrogação me perguntando o que poderia ter sido, mesmo sabendo do nosso profético fim.
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