Agonia
Outro dia, numa rodoviária, sentada em um banco de espera, olhei em volta. E percebi: todos que passavam cabiam dentro de si. Andavam como se as pernas não se esfregassem, como se os pés não doessem de sustentar o próprio peso, como se o tecido das roupas não pressionasse as costelas, como se o vento nos cabelos não exigisse contenção. E aceitavam. E eram. Dentro de mim, Agonia. Agonia na ausência, na língua presa ao céu da boca, nas dobras do joelho, no tecido das roupas, no cabelo ao vento, Na falta, no excesso, Agonia no ser Agonia em todos os meus gestos.
Comentários · 1
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.