Um simples sorriso
Hoje eu quis falar com uma pessoa — mas não consegui. Ele estava lá, sozinho com teu fone de ouvido. Eu queria falar com ele. Não por pena. Mas porque eu entendia aquele sentimento — era como se eu visse um reflexo do meu próprio eu. Eu queria ser teu amigo. Só que a timidez falou mais alto. E ao invés de eu me conectar com ele — pedi para que alguém o fizesse. Quando finalmente vi a pessoa falar com ele, vi um suspiro escapar dos teus ombros. Como se ele estivesse carregando o mundo inteiro dentro de si. Ele soltou um leve sorriso, de alegria e paz. E eu quase sorri também — na verdade eu sorri, só que bem pouco e olhando para baixo. Porque não queria invadir aquele momento dele. Mas mesmo depois de tudo aquilo senti algo estranho no peito. O que poderia ser aquilo? Será que era frustração por não ter ido falar com o menino? Ou mágoa por não ter sido eu a receber aquele doce sorriso? E até que enfim entendi — era alegria genuína por ele não ter ficado sozinho. Acho que, querendo ou não, partiria o meu coração vê-lo só. Abandonado — como se não existisse. Engraçado como aquele simples sorriso, que nem foi para mim, deixou meu dia melhor. Por mais que eu também estivesse sozinho — naquele momento nada mais importava, além de não deixá-lo sozinho e triste.
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