Uma mulher solitária
Mais uma vez a vi — triste e sozinha, isolada de todos. Todos os dias naquele mesmo lugar, naquela mesma hora — ela sempre estava lá. Por algum motivo isso me intrigava. Eu me pergunto: por que alguém a deixaria sozinha? Será que é por escolha? Por solidão? Ou apenas não teve a oportunidade de se incluir? Quando teu olhar e o meu se encontraram — um olhar de tristeza, dúvida e angústia. Fico imaginando o que se passa. Deveria eu ter tentado tomar alguma atitude ou não? São tantas dúvidas. Mas uma coisa é certa — definitivamente ela estava esperando alguém para desabafar. Não aguentei mais e tomei uma atitude. E, enquanto me contava tua história, se acabou em lágrimas. O arrependimento de não ter lhe escutado antes me consumia. Agora o que me restava era ter empatia e escutar teus gritos silenciosos — que por muito tempo escondera. Tua vida não fora nada agradável — todos os dias era uma luta diferente. Uma dor diferente. Uma lágrima a mais. Porque por mais que a vida a machucasse — ela nunca deixou de ser forte. Apenas estava cansada de aguentar tudo sozinha. Quando terminou de falar, olhei-a e a abracei. Não por pena, não por cansaço. Mas sim por entender que a vida daquela simples mulher não era nada fácil. Assim como a vida de várias outras — que sofrem constantemente e não têm ninguém com quem compartilhar. E ali eu entendi — algumas mulheres não precisam de salvação. Precisam apenas de alguém que as escute antes que o silêncio as engula.
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