A vela
Estava cada vez mais escuro — e a única luz que iluminava aquela casa silenciosa era a de uma pequena vela. De lágrima em lágrima ela chorara e tua cera se esvaíara. Restara apenas a esperança de que a luz voltara antes da última gota cair. Lá se fora uma gota. E mais outra. Dez minutos se passara e nada acontecera— ninguém veio me ajudar a sair daquela dolorosa escuridão. Me senti só. Minha companhia era cercada apenas por: um lápis, um caderno e uma simples vela. Então, resolvi escrever — já que essa fora a coisa mais útil que eu aprendi. Escrevi. Escrevi, como se não houvesse amanhã. Usei desde às mais tolas às mais belas palavras. Continuei nesse estado por um bom tempo. Até que, de repente, a vela se apagou e eu fiquei sozinho novamente. Mas o mais estranho, é que eu não senti nada. Nem medo, nem solidão — absolutamente nada. Fiquei lá até a luz voltar. E foi como eu imaginara — ninguém veio.
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