Alma de Poeta
Tu escreves sem sofrer? Como é possível? Se escrever é sangrar a alma, É arrancar uma parte de si, Para dar ao outro, Um ínfimo quinhão do teu viver. Tu escreves sem lágrimas? Como é possível? Se as tuas lágrimas, São a linguagem da alma, E cada gota que tinge o papel, É a emoção que conta ao outro, Quão grande é a tua saudade. Tu escreves sem sorrir? Como é possível? Se o teu humor ou a tua ironia São o princípio do prazer, É na leve rebeldia do teu ser. Que a pena jocosa dança no papel. Tu escreves sem contemplação? Como é possível? Se o teu olhar encanta e acalma. Revela a quem ler, A beleza do teu mundo interior. O mistério que habita a tua alma. Tu escreves sem sede do saber? Como é possível? Se a essência do desejo é decifrar. Os mistérios do inesperado. A origem da tua inquietação. A sagacidade do extraordinário.
Guilherme Daniel
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