O Pequinês, A Fera.
Sentada na varanda da minha casa, ouvi duas crianças conversando: — Não irrite o cachorro — disse o mais velho. O menor não fez caso e continuou atiçando o cão, que ficou enfurecido, latindo e batendo no portão. — Vamos, ele vai arrebentar o portão! — disse o menor. Fiquei olhando as crianças correrem do pequinês da vizinha, que estava preso atrás de um portão de ferro. Como poderia aquele cachorro quebrar o portão? Sorri ao ver os meninos correrem, e o que era diversão se transformou em reflexão: quantas vezes nós mesmos transformamos um “pequinês” que é um problema, uma falha ou um conflito, em feras valentes que podem arrebentar os portões e nos atacar? Somos capazes de fazer de uma formiga um monstro. Usamos lentes de aumento diante de certas situações — não com a inocência daquelas crianças, mas por orgulho, por conveniência, por sentir pena de nós mesmos ou para chamar a atenção dos outros. Seja como for, deveríamos repensar a nossa maneira de ver as nossas feras. Talvez descubramos que elas são apenas pequinês presos atrás de um portão de ferro — e, ao perceber isso, possamos melhorar a nossa qualidade de vida. Querido leitor, Viver é uma arte, e o artista é você.
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