Como vai? Tudo bem?
Quando “Como vai? Tudo bem?” Aparece vagando pelos salões sociais da vida, nada querem dizer. São apenas etiqueta, por educação. A resposta deve ser: Tudo bem, obrigada. E você? Aqueles que ousam dizer: hoje não estou bem, recebem um olhar estreito e a resposta: tenha fé, seja forte, ou isso vai passar e você vai sair mais forte. Não estar bem em algum momento é corriqueiro. Onde entra a falta de fé em uma questão do cotidiano? Se hoje não é um bom dia, significa que não há força e coragem? O sujeito, simples ou composto, não importa. Não sabe e nem se deu ao trabalho de saber porque o céu está tempestuoso, mas rapidamente responde: “isso passará”. E se a situação alheia não tiver cura ou solução... como vai passar? Quando saber se “como vai?” é só parte da etiqueta social, ou as boas maneiras do sujeito oculto? E quando a pergunta é feita com amor e cuidado genuíno? Pois um "tudo bem?" sincero é um convite para abrir o coração. Num mundo que está conectado o tempo todo e ninguém ‘está longe’, cada dia o convite sincero para abrir o coração é coisa que ficou no passado. Junto com os orelhões, as fichas telefônicas, as fitas cassetes... O mundo muda rapidamente, é até difícil de acompanhar. Com ele muda a maneira de se relacionar. O que mais vai ficar obsoleto? Em corações frios, de pedra, há um antídoto para o sofrimento? No novo look que o mundo veste, há lugar para a velha camiseta com a frase: sinto muito que esteja passando por isso ou entendo que está difícil? Acredito que não. A dor só precisa que uma mão amiga pouse em seu ombro. O sofrimento não precisa de fé ou de receitas mágicas, só precisa de empatia. O sofredor não precisa que lhe digam para ter força e coragem; se ele lida com a dor com frequência, tais qualidades ele já tem. Só precisa do velho e bom Amor. Marya Ferreira
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.