Chapéu Preto @jornadeiro

A besta na xícara.

Enquanto bebo este chá, sei parecer um animal. Selvagem animal de compulsividade tamanha que me estranharia arte sair deste poço. Toca com o lábio. O avança, lábios carnudos usados como rodos; puxa; empura; puxa; empura, puxa, empura puxa empura. O faz pelo calor da bebida que é um dos motivos de sua loucura como vampiro que se alimenta da presa fria mas quem pode culpar um curitibano de querer sentir calor? É como beijo... É como crime... Beijo e crime. Crime no que se diz a hesitação, e não a culpa, como se faz na paixão platônica. É metade da xícara e ele arfa, abafa seus óculos. E como fim inevitável de talvez toda paixão, esfria o chá. Agora finca os lábios como dentes, e, como na pintura de Munch, suga, a coisa carnuda no vidro sentindo a água quente que agita seus nervos e o faz se contorcer como se em abstinência. Ele, segurando a xícara pelo corpo e não pela asa, suspira ao terminar e finaliza mordiscando o saquinho. Agora sim, pode voltar a civilização.

Comentários · 3

  1. ~☆alexjr_tv^clube (:

    oiii me segui por favor tô com a meta de 100 seguidores

  2. Josué

    oii, poderia me seguir lá no Instagram ♥️👇🏽, posto poesias e poemas lá todos os dias. www.instagram.com/duezinx

  3. Sakura 🌸🍃

    nossa...o q esta acontecendo com vc