Dispo as camadas disformes,
Uma na esperança, duas ou todas, numa revolta do desespero.
Minha obsessão foi livrar-me da maldição trágica da vida,
Foi soltar as amarras, joga-las na cesta, essas camadas sufocantes, que viraram as minhas máscaras do dia, da noite.
Assim arranco até a carne que me prende.
Mas as sombras parecem fixas,
como digitais impressas na alma, como uma mutação irreversível daquilo que era e não mais será.
Joice T.M
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Não basta mais a tal "humanidade".
Pois as barbáries são mais naturais para a mente do que a própria bondade e ingenuidade.
Como mudar a natureza se negamos os princípios dos nossos instintos.
Sem encarar a nossa verdadeira natureza.
Não se corrige aquilo que não é admitido e ideais se tornam então impossíveis dentro das constituições selvagens humanas.
- Joice T.M
Não me envolva por essa razão.
Pois me dá tão pouca mas que me significa muito.
E eu, que só encontrava razão de ir embora,
Que certa estava de que coisa nenhuma me prendia, restrita daqueles sentimentos,
Agora, me dá razão para ficar,
Tirando-me as certezas construídas na porta do meu coração,
Não consigo entender, como derrubaste a minha tão estruturada indiferença.
Joice T.M
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Sou escrava das minhas vontades, que obedeço orgulhosa.
Sou escrava dos sonhos que tive acordada,
Da mente que divaga,
Dos meus pés traçando o próprio caminho.
Assim, sou escrava dos meus pensamentos e agonias descontroladas.
Sou escrava da visão de liberdade,
Antes escrava minha do que dos grilhões entrópicos dessa sociedade.
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Esperei os sonhos impossíveis
A verdade por trás das mentiras
Esperei pela justiça
Pelo fim das tempestades
Esperei o fim do poço quando miserável a vida
E na verdade
Não há um fim da tristeza para alcançar
Quando o fim do sofrimento só vem em sepultura.
Então sofro teimosa pela vida.
Pois a fúria ainda é maior que a dor que assola.
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É a cópia da cópia,
Redundância humana,
É o perfeito por fora,
E no âmago, podres como turfeiras dos decompostos de personalidade.
Foi-se então a autenticidade,
Ao provar os frutos dessa pavorosa politicagem da "Maria vai com as outras".
Então estou perdida,
Não entre as cordilheiras que eu almejava trilhar, inundada de sonhos e esperanças.
Foi na perda de algo meu, de essência.
Como quem se esforça para respirar, para ser.
Que luta árdua,
É a que vivo para encontrar essa voz entre as tormentas erradas.
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Foi preciso largar a segurança dos navios rotineiros.
Pular e lavar o choro desse montante de sentimentos abdicados,
Salgados como as ondas escuras das águas marinhas.
Então escolher o oceano misterioso, de promessas infinitas
Nômade entre os mais profundos desejos, que uma vez foram barrados por âncoras dos navios que já não mais me cabem.
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Foi os segundos, minutos e dias.
Então os anos, os séculos distantes, sentia como se o tempo fosse o pior tipo de pessoa,
A que passa, te marca e vai embora sem mais nem menos.
Sensação de perda, até seguir para o esquecimento.
Considera-me louca, até prefiro.
Pois é onde a liberdade canta a mente viva.
Que seja acordada ou dormindo fixa em minha jaula.
Mas me considere louca, em prol da minha liberdade de esboçar na mente a esperança do que ainda não existe.
Uma ilusão para toda desilusão que aflige, perturba.
Quero mente solta,
Sentir os pés que ultrapassam linhas que me delimitam.
Eu escolho ser chamada de louca.
Desde que para sempre livre.
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