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Eu queria não ter medo de você. Queria poder acordar e ver o mesmo sorriso da noite passada aberto em seu rosto como se fizesse parte dele. Mas não, seu coração inalcançável, seu jeito ríspido... Me distanciam. Eu não te conheço. Não sei o que você sente, com o que você costuma sonhar à noite, quais são seus sonhos, suas vontades. Você apenas faz seu papel num teatro cuja personagem não lhe foi permitido escolher. Mas você faz bem. Eu queria ser teu filho, ter lembranças como qualquer um de uma mãe receptiva, amorosa, preocupada. Não me lembro se já ouvi alguma palavra de afeto sua. Provavelmente já... Foram tão poucas se comparadas às vezes em que você disse coisas a mim que uma mãe não deve dizer a um filho. Eu choro, você finge não ver. Tudo bem. Eu te perdoo. A vida sempre foi difícil. Mas eu, eu te amo, não como obrigação, mas como filho. ---
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