Pode ir agora
Sou ausência que acolhe. Morada de quem partiu sem dizer. Sou abrigo pra tempestades alheias, mas ninguém mora em mim por inteiro. Carrego nos olhos o vão dos adeuses, nas mãos, o peso do que não ficou. Sou experiência tatuada em silêncio, sou o tempo que não pediu pra passar. Já entendi: tudo escorre. Nada é pra sempre, ninguém é promessa. Alguns tocam, poucos marcam. Quase ninguém permanece. E eu? Eu permaneço em mim. Mesmo quando tudo vai embora. E eu sei que a única que não posso mais perder sou eu. Jéssica Mendes
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