Jeferson de Sá - DesenhistaSete @jefersondesa

Água Distante

Sofre ali um desejo encarcerado Por cadeias de distâncias abismais. Sente a sede diante de um belo riacho Pela água que não está neste lugar. Pois no dia em que provou daquela água Seu prazer flamejou o seu tição, Seu desejo destilava como incêndio, E sua boca salivou satisfação! Os ouvidos degustaram os gemidos Quando a língua tateou a flor e a seiva. E quando a morada quente o abraçou Latejou, sem ter língua que o descreva! E aquele bom instante se tornou Seu momento memorável inconteste Que a noite assistiu e festejou E a manhã veio a ser parte da festa! E de pensar que ali recomeçou Quando o tato fez jorrar de novo a seiva E as portas novamente arreganhou, Outra vez tendo morada que o receba. Mas agora só lhe resta a lembrança E o sofrer de um desejo encarcerado Por cadeias imponentes de distância E a sede diante de um belo riacho... Jeferson de Sá

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