Jeferson de Sá - DesenhistaSete @jefersondesa

O Rico, a Poesia e o Mendigo

Filho da abstinência! Homem de vil desperdício! Não confundam diligência E indigência! São palavras parecidas, Dois caminhos que se cruzam, Mas não mudam sua cadência absurda! Vem a chuva e o vendaval, Brota e traz o pão bendito. Mas da frágil flor a luta É não ser arrancada ao vento, Que pra rocha é cicio; Ao labor é o bom alento; Ao poeta é a angústia E à poesia, o seu unguento. E quando a força se acaba Só restando o clamor (Mais mudo que o desespero De quem já perdeu a voz), Ela ainda grita à vida Pelo sangue que não pinga, Pela boca ressecada, Pelos ossos desenhados Em pele já estilizada Pelo lápis da inanição E por cada mão fechada A não conceder o pão. Ela é bela e desprovida Poesia desvalida Nunca nega o seu ofício Voz da voz emudecida Do oprimido. O rico, a poesia e o mendigo. Jeferson de Sá - Binho

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