Medo do Mar
eu sou minha consequência, junção de momentos, de meus sentimentos, de tantos recados, sou o fiz e não fui. eu sou o que senti nesse tempo. eu sou o que vivi nesse momento. sou a fragrância derramada, subindo o aroma por este lugar, trazendo lembrança, trazendo remorso, na encosta do mar. eu sou uma incógnita errante, um Eros delirante, e daqui em diante, eu sou o que sou, e tudo que vejo. eu sou internamente marcado, já tão machucado, pela maresia, pela fantasia, de um já idoso, medo de viver. não diga o que me compõe. o que você já me impõe, não causa efeito, trazendo do leito, a encosta do mar. e foi justamente a pipa, se sobressaindo, trazendo no vento, um caso tão lento, um mar revoltoso, um ar rancoroso, uma sombra fatal. e foi sucumbindo ao medo, ao apego, ao teu cabelo, que no fim das lembranças, eu soube quem sou. e foi causando o terror, tanto rancor, tanto estrago, tanta vergonha, tanto embaraço, que enfim retornei ao que me restou. eu sou o caminho de pedras, no rio que navegas, no ponto já cego. eu sou o amor proibido, sou tão exibido, sou tão emotivo, sou meu próprio lar.
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