Coringa usado
Parte 2
Você se ilude com seu reflexo e se ilude comigo. Meu sorriso fácil não é amor conquistado. Se retira e volta pensando que apenas você dita as regras.
Esse vinho é apenas movimento de jogo. Qual carta tu tem na manga? Tu não é tão previsível assim. O coringa já foi usado.
Seja ousado. Confia demais no seu potencial. Seu charme é a mentira. Autoengano para dizer que, em poucas palavras, tu me conquista.
Jaine de Jesus
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Troféu empoeirado
Parte 1
Me conta o segredo que você guarda enquanto se exibe em frente ao espelho. Seu corpo te entrega. Esses detalhes que só eu observo... Seu olhar levanta para se admirar.
Uma obra de arte de um museu abandonado. Sorrir enquanto me beija como um presente de Troia. Para você, sou troféu de estante empoeirada. Seu declínio é achar que sou apenas mais uma.
Jaine de Jesus
Entorpeça-se de mim
Beba-me em doses cavalares
Deleita-se de meu gosto
Na órbita do seu ar
Dance com meu corpo
Nas lacunas de pares
Costura-me nas tuas vertentes
Gramaticalmente me chame
Meu nome em seu nome
Endeusa-me com joias verbais
Cerca-se de mim em quadros
Tenha-me sem me prender
Subtraia-se para eu somar em ti
Coloque-me em pedestal de seu museu
Deleite-se em penumbra de lembrança
Torna-me como tesouro inalcançável
Rompe-se do seu livre-arbítrio
Condena-me em teus braços
Jaine de Jesus
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Carregava em suas mãos
Um buquê de petúnia
Recebera de um cavalheiro
Mencionado em seu diário
Quando o via , erguia os braços
O abraçava com apreço
De voz rouca dizia : papai , te amo
Jaine de Jesus
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-E eu te encontro aonde?
-Nas linhas, nos versos interrompidos e nos fracassos amorosos.
-E você me deixou aonde?
-Nos versos que falam de amores que deram certo
Jaine de Jesus
Não faça chover dentro de mim
Há ervas para serem tiradas
Mas há lindas flores por aqui
Às traças corroem o cercado
Jardineiros temporários transitaram
Remova os entulhos que deixaram
Plante margaridas, rosas vermelhas
Coloque placas de advertência
Converse com cada uma delas
Faça que em mim floresça
Tens liberdade de mudar
Não necessito que me salve
Porém, zele enquanto habitas em mim
Jaine de Jesus
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Caminhava pela cidade.
Um ser de coração partido
deparou-se com tal anúncio:
“Procura-se um coração inabitado
que aceite um poeta de poemas mortos,
que decore com versos cortantes,
utilize suas próprias lágrimas na limpeza,
que pague o aluguel com rasuras de amor.”
Mediante tais palavras, aqueles tristes olhos
retiraram da parede o cartaz e o levaram,
entrando em contato com o anunciante.
Aquele poeta, em suspiro de alívio, atendeu:
— Do outro lado da linha está o abrigo da minha alma?
Ofegante, tal proprietário respondeu:
— Minha morada tem paredes rachadas
e pingueiras dos meus olhos...
É o que posso te oferecer.
— Alugo. Que meus versos eliminem as pingueiras
e que as suas pingueiras me façam escrever.
Jaine de Jesus
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Alimente meu ego com elogios baratos
Me embriague com doses de promessas
Sua facilidade para não cumprir é absurda
Mente a luz do dia e na companhia das estrelas.
Seu preço é barato, 1,99 da feira .
Tu tem o gosto em dar desgosto
Se lambuza do livre arbítrio
Sua partida tem dia e hora
Eu só ainda não abrir a porta
Falta pouco pra dar às 17 h...
Jaine de Jesus
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Devaneio em excesso
Te procuro em meus versos
Mas não te encontro.
Facilito as palavras
Falta tudo e não falta nada
Desde que te encontro na gramática.
Meu verso em carne e osso.
Jaine de Jesus
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Concentrava-se nas borbulhas do chá
Se limitava entre viver e desistir
Rabuscava planos entre aspectos de solidão
Cultivava a felicidade no apê da saudade
Mencionava o afeto entre o desapego
Marcas de elos proporcionalmente desfeitos
Características da alma zelosa: enfim, sós !
Fraciona o carinho para caber na modernidade
Submete-se no " aceito " para evitar desconforto
Dúvidas retiradas em frente ao espelho
Lapida o tempo nas linhas do adeus
Movendo o quadro de lembranças mortas
Jaine de Jesus
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