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Jaine

@jdejesus · desde 2018

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Série: Consumo emocional

Coringa usado Parte 2 Você se ilude com seu reflexo e se ilude comigo. Meu sorriso fácil não é amor conquistado. Se retira e volta pensando que apenas você dita as regras. Esse vinho é apenas movimento de jogo. Qual carta tu tem na manga? Tu não é tão previsível assim. O coringa já foi usado. Seja ousado. Confia demais no seu potencial. Seu charme é a mentira. Autoengano para dizer que, em poucas palavras, tu me conquista. Jaine de Jesus

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Série: Consumo emocional

Troféu empoeirado Parte 1 Me conta o segredo que você guarda enquanto se exibe em frente ao espelho. Seu corpo te entrega. Esses detalhes que só eu observo... Seu olhar levanta para se admirar. Uma obra de arte de um museu abandonado. Sorrir enquanto me beija como um presente de Troia. Para você, sou troféu de estante empoeirada. Seu declínio é achar que sou apenas mais uma. Jaine de Jesus

Deusa

Entorpeça-se de mim Beba-me em doses cavalares Deleita-se de meu gosto Na órbita do seu ar Dance com meu corpo Nas lacunas de pares Costura-me nas tuas vertentes Gramaticalmente me chame Meu nome em seu nome Endeusa-me com joias verbais Cerca-se de mim em quadros Tenha-me sem me prender Subtraia-se para eu somar em ti Coloque-me em pedestal de seu museu Deleite-se em penumbra de lembrança Torna-me como tesouro inalcançável Rompe-se do seu livre-arbítrio Condena-me em teus braços Jaine de Jesus

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Amor genuíno

Carregava em suas mãos Um buquê de petúnia Recebera de um cavalheiro Mencionado em seu diário Quando o via , erguia os braços O abraçava com apreço De voz rouca dizia : papai , te amo Jaine de Jesus

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Diálogos

-E eu te encontro aonde? -Nas linhas, nos versos interrompidos e nos fracassos amorosos. -E você me deixou aonde? -Nos versos que falam de amores que deram certo Jaine de Jesus

Zelo

Não faça chover dentro de mim Há ervas para serem tiradas Mas há lindas flores por aqui Às traças corroem o cercado Jardineiros temporários transitaram Remova os entulhos que deixaram Plante margaridas, rosas vermelhas Coloque placas de advertência Converse com cada uma delas Faça que em mim floresça Tens liberdade de mudar Não necessito que me salve Porém, zele enquanto habitas em mim Jaine de Jesus

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Anúncio

Caminhava pela cidade. Um ser de coração partido deparou-se com tal anúncio: “Procura-se um coração inabitado que aceite um poeta de poemas mortos, que decore com versos cortantes, utilize suas próprias lágrimas na limpeza, que pague o aluguel com rasuras de amor.” Mediante tais palavras, aqueles tristes olhos retiraram da parede o cartaz e o levaram, entrando em contato com o anunciante. Aquele poeta, em suspiro de alívio, atendeu: — Do outro lado da linha está o abrigo da minha alma? Ofegante, tal proprietário respondeu: — Minha morada tem paredes rachadas e pingueiras dos meus olhos... É o que posso te oferecer. — Alugo. Que meus versos eliminem as pingueiras e que as suas pingueiras me façam escrever. Jaine de Jesus

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Galanteio de feira

Alimente meu ego com elogios baratos Me embriague com doses de promessas Sua facilidade para não cumprir é absurda Mente a luz do dia e na companhia das estrelas. Seu preço é barato, 1,99 da feira . Tu tem o gosto em dar desgosto Se lambuza do livre arbítrio Sua partida tem dia e hora Eu só ainda não abrir a porta Falta pouco pra dar às 17 h... Jaine de Jesus

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Devaneio

Devaneio em excesso Te procuro em meus versos Mas não te encontro. Facilito as palavras Falta tudo e não falta nada Desde que te encontro na gramática. Meu verso em carne e osso. Jaine de Jesus

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Enfim, sós

Concentrava-se nas borbulhas do chá Se limitava entre viver e desistir Rabuscava planos entre aspectos de solidão Cultivava a felicidade no apê da saudade Mencionava o afeto entre o desapego Marcas de elos proporcionalmente desfeitos Características da alma zelosa: enfim, sós ! Fraciona o carinho para caber na modernidade Submete-se no " aceito " para evitar desconforto Dúvidas retiradas em frente ao espelho Lapida o tempo nas linhas do adeus Movendo o quadro de lembranças mortas Jaine de Jesus

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