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Isa

@isabela_laranjeira · desde 2021

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Vida

Opostos em contradição.

Era uma trilha fechada, que acabava em um precipício no qual encontravam-se o céu e o mar. Lá os anjos celebravam a vida e o paraíso enquando os demônios harmonicamente se conectavam ao caos. Mas ninguém realmente conseguia dizer aonde acabará o céu e começará o inferno. Dizem que a linha que separa o amor e o ódio é tênue, talvez assim se constitua o equilíbrio. Porém quando a dualidade coincide não podemos controlar o impacto da aniquilação. O que pode não ser tão desastroso já  que a vida nasceu da destruição. E do fim se fez o começo...

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Vida

Árvore da vida.

Tu és a árvore da vida, E tocado pelo divino interior, Faz nascer novos reinos, Desde o do ódio até o do amor. No reino do ódio, Vivem criaturas intensas, Fadadas a agir No impulso da violência. O ambiente em questão, É como veias pulsantes, De um coração. No reino da vaidade, Existem duas sociedades, Dos que destroem-se mutuamente, E daqueles que se amam de verdade. O que muda de uma para outra, É a divisão do capital, Pode ser Muito, Pode ser pouco, Ou uma dose ideal. O reino da tristeza, É indicado para turistar, Passando algum tempo Para se reinventar. É um lugar em que, Muitos não querem ir, E no qual alguns aldeões, Não conseguem mais sair. Porém sempre haverá Uma salvação, Para quem está perdido, É indicado pedir ajuda, Para achar a direção. O reino do amor, É uma eterna primavera/verão, De criação abundante, Vínculos, artes, paisagens, Que te envolverão. A energia do lugar É encantadora e fluída, Quando sua matéria prima, É bem distribuída. Então minha linda árvore, Continue a crescer, A viver cada fase, Se permitindo amadurecer. Nem todas as estações, Serão de florescer, Mas no outono/inverno, Não se deixe abater.

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Vida

Casa

Existiam naquela época muitos reinos, que devido a condições climáticas ou á características marcantes, eram descritos conforme seus elementos. Os reinos do fogo eram quentes, secos e possuíam longos trechos desertos. Os reinos da água, eram rodeados e demarcados por rios e mares, cachoeiras e nascentes, também chovia constantemente. O reino do vento era um eterno outono, no qual sentia-se um brisa gelada eterna, constante e imutável. Existia uma pessoa originária da terras do gelo, que era a mais remota e sem vida. Habitar nela era uma tarefa difícil e cansativa, uma luta constante por sobrevivência a temperaturas negativas. Ela tinha um olhar desconfiado que se voltavam aos perigos e abrigos que surgiam em seu caminho. Cansada deste mecanismo partiu, vagando por reinos, habitaveis e inabitáveis. Quando todos achavam que permaneceria em algum lugar, ela desaparecia, deixando rastros nos lugares e nas pessoas. Não tinha para onde voltar e nehuma casa, castelo ou estadia que fosse sua. Muitos Achavam estranho não ter uma cama para repousar sua cabeça em segurança e não haver um único e fixo lar para descansar. E Dúvidas surgiam... Será que o gelo e o frio que passou congelaram seu coração? Era o que os aldeões indagavam. Fria, coitada, forte, desapegada, eram algumas características habituais, que sempre faziam referências ao reino do gelo. Em uma de suas partidas lhe foi perguntado o porquê de viver sem um lar, sem segurança ou retorno. E até hoje sua resposta gera mais perguntas.." O meu lar é aquele em que meu espírito segue inabalável e inalterado, não importa aonde meu corpo habitará ou repousará, desde que em meu interior, siga me lembrando da paz que senti em cada bela paisagem que guardei em minha alma. Em cada jornada que trilhei construi lares, que nem sempre foram ambientes estáticos, mas olhares, gestos, pessoas, vistas, ambientes, cada momento que vivi com profundidade, estes são meus lares, que levarei comigo até o fim. Não importa para aonde irei, hei de encontrar meu lar inalterável..."

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Vida

Perdão.

De figuras desfiguradas, A minha alma dilacerada, Numa eterna agonia, Alimentando todo dia, O meu ódio por você. Eu te amei? Acho que não, E por isso peço perdão, Por amar uma invenção. Teu reflexo num lago Narciso! eu amei. Mas nas tuas águas profundas Não mergulhei. Sobre minhas raízes, Fiz chover, Canivetes por você, Ou melhor, foi por mim. Por me achar tão ruim, E criar em você, Tudo que eu queria ser. Ser ou ter? Minhas dores e feridas, Aos poucos cicatrizarei, Sigo desarmando meus nós. Dentro de uma jangada em alto mar, Buscando me encontrar. E hoje numa tempestade, Deixei de te odiar. E deixando de te odiar, Deixei de me culpar, Libertos vamos seguir Flutuando por ai.

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Vida

Melancolia.

Mais uma manhã chegou, A vida começa e segue barulhenta, Neste quarto consigo ouvir, Todo caos do mundo. Carros, pessoas, construções. Intensamente podemos sentir, O vazio deixado pelos rastros, De existências abundantes. A vida que se alimenta e se destrói, O ser humano que ama e corrói. Sentada assisto o espetáculo começar, As vezes me ponho a rir, As vezes a chorar. Cenas de drama e de comédia, Me fazem questionar, Em qual peça quero estar. Talvez seria mais fácil, Largar o teatro e comprar uma televisão, Mudando os sentimentos, Que fazem doer o coração. Escolhendo um eterno filme de fantasia, E inventando o extraordinário, Começo do dia.

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Vida

Culpa de passarinho.

Dentre todas as escolhas, Ela escolheu, aquela que foi possível, E se culpou por muito tempo, Por um acontecimento imprevisível. "Você não faz nada certo" "Qual o problema com você" Milhões de pensamentos negativos, A fizeram se perder. Perdida, seguia sem compaixão, Para consigo e seu próprio coração, E ele batia em seu peito, Como um martelo de juiz, Julgando seus atos passados, Fazendo-a infeliz. Mal sabia, Que sua própria mente, Podia mentir, Se autossabotando, Querendo desistir. Dentre as possibilidades, De desbravar o céu azul Ela fez o que estava ao seu alcance, Mas querendo voar mais alto, Não enxergou a tentativa, Por diferentes nuances. Suas asas em cada bater, Ficam mais fortes e resistentes, Tornando-a mais habilidosa E preparada para voos, Em climas diferentes. Voe longe, Sem se culpar, Por não prever vendavais, E se perdoe, Por erros eventuais. Ouça! Passarinho. Não carregue o peso da culpa, Pois a vida é por demasiado curta.

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Vida

Cirurgia

Mais uma vez, os dias passaram em mim. A manhã, a tarde e a noite, Sem fim. Misturei então As tonalidades do céu, Das diferentes fases, Eis o cinza, Como as tardes de verão. Mais uma vez, As nuvens cobriram o sol, Escurecendo a selva de pedra, Inundando e devastando a multidão, Que na escuridão seguia submersa. Torci para que a chuva Enxarcasse minha alma, Lavando meus pecados Minhas dores e minhas falhas. Mais uma vez, Senti o medo da anestesia, Que me apagaria, Durante todo o dia. Que meu estado inconsciente, Seja profundo, Mas que eu acorde novamente, Para lutar neste mundo.

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Vida

Perfeição

Voei nos mais altos montes, Tentando alcançar o sol, Não por amá-lo, Nem por cega paixão, Mas por querer ser O retrato da Perfeição. Estabeleci padrões mais altos Que a torre de babel Porém tão frágeis Que ruíram Rasgando como um papel. Abaixo o que sobrou foi a destruição, De crenças e objetivos, Sem fundamentação, Construi meus alicerces, Baseada em idealizações, E na minha queda entendi o preço, Dos meus pensamentos E das minhas ações. Percebi Que nunca atingirei, Meu ego ideal, E imperfeita seguirei, Buscando o que é real.

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Vida

Autodestruição

Uma bela flor exibia sua beleza no jardim, Recebia amor, de borboletas, beija-flores e querubins. Nos dias de sol, sentia o calor do grande astro aquecendo-a e nas tardes de chuva se entregava por completo, sentindo cada gota percorrendo-a, até encontrar a terra e matar a sede de sua raiz. Por falta de um drama, resolveu se apaixonar, e nesta trama, seu amor não podia dar. Apaixonou-se pelo horizonte, admirando sua linha, que separava a terra e o céu, mas nas noites estreladas mesclava-se com a escuridão, deixando tudo com um ar de fusão. Às vezes ela pensava que se o tocasse poderia se desprender da terra e alcançar os ares. O tempo passou, e o horizonte nunca retornou o amor platônico daquela pequena flor. Cansada, resolveu recorrer a sorte, seguindo arrancando pétalas por pétalas. Bem me quer, Mal me quer, Bem me quer, Mal me quer. Após deixar-se por completo no chão, Não ouve sorte, reviravoltas nem salvação. A linda rosa se entregou a autodestruição, Em nome de uma paixão. Passarão mais dias de sol, E tardes de chuvas, O beija-flor continuará visitado-a, E então acontecerá o ressurgimento, E seu coração será preenchido de alento.

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Verdade

Brasil

Patria amada, É aquela vacinada, "Armada" de educação, Com protestos calorosos, E ampla visão. O canto da revolta ecoa, Chegando aos quatro cantos do Brasil. E nesta lamentação o tempo voa, E segue esquecido o direito do civil. Mãe terra nos perdoe, Por massacrar sua gente, Descaracterizando o índio, Tratando-o como indigente. E nos arredores da sua mata, Segue o fogo e a destruição. Acabando com a fauna e flora, Sufocando sua respiração. Óh patria amada e idolatrada. SALVE! SALVE! Salve! Sua gente, Massacrada, Maltradada, Jogada ao próprio azar. Salve! Suas crianças, Reconstruindo, O direito de sonhar. Salve! A alma, Que está Entregue, Ao profundo desespero. Salve! O sistema, Que usa o corpo como máquina, Para produzir dinheiro.

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