Olhares
Ele me fitava em silêncio, qual sentinela à porta de um segredo. Seus olhos pousavam sobre mim com ternura que não ousava nome. E eu sentia. Sentia cada segundo como sol na pele, sentia-lhe o olhar como brisa mansa a tocar-me a face como chama discreta. Mas fingia não ver. Desviava o semblante, compunha os cabelos, ocupava as mãos com ninharias, tudo pra não sustentar a verdade que nos espreitava. Se por um só instante lhe firmasse os olhos, temia que meu coração — aflito, se denunciasse. E assim ficávamos: ele, a contemplar-me como quem suplica; eu, a fugir como quem teme.
POEMICIDA®
Muito bom, parabéns Irlah.