Doces lágrimas
Tenho chorado todas as noites, como quem tenta lavar a alma e só espalha mais sujeira por dentro. Minhas lágrimas dançam sob minha pele, queima o sal, o silêncio, e o lençol se torna cúmplice do que escondo quando o dia nasce. Tento parar, respiro fundo, invento calma, mas o peito insiste em sangrar lembranças. Machuca, machuca ser o próprio peso, machuca falhar em existir, ser fraca demais pra sustentar a vida que carrego nas mãos trêmulas. E no fim, me afogo em mim mesma, sem saber se ainda vivo ou apenas insisto.
eu.samu
Muito bela, a poesia.