Paixoēs vis
Carregamos a luz sobre a cabeça possuindo-a como medalhão. Esquecemos, distraídos que somos a própria luz, somos nós que pertencemos a ela. A consciência sofre com vertiginosas subidas e descidas, idas e vindas, como se ao corpo e o espírito recusasse a noção de familiaridade. É preciso descer sempre, mais e mais na intimidade para descobrir em si todo fruto que sua natureza possa gerar. No qual o amor-próprio se dissolve em vez de se refinar ao patamar de uma vaidade que aparenta ser segura. A consciência é um mundo íntimo como o Mar, revelado no torpor furioso da tempestade que se agita na superfície, mas que se apazígua na atenção que dedicamos a sua profundidade. Contudo, escolher o melhor não é cortar fora, sufocar, excluir sua natureza, muito menos desviar a atenção de seus movimentos densos das paixões. É reagir, se colocar atento perante a obscuridade e dar-lhe o sentido de transformá-la em Luz. Pensar é ter consciência de si. Não posso atribuir a consciência nada que ignoro e deixo encostado como se fosse uma justificativa das minhas más inclinações. A natureza múltipla interrompe a busca do uno, perfeito, imutável e puro, precisamos sempre lembrarmo-nos de Ulisses amarrado ao mastro (consciência) sob a ilusão do canto (paixões desenfreadas) das sereias.
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