Ser poeta é amar perdidamente
E encontrar-se apenas desse jeito
Expressar tudo e ser insatisfeito
E pensar amar mais que toda gente
Ver o vestido do interno vulto
Pelo alívio de um belo feito
Tentando alcançar, do que é perfeito,
Um grão que só sacia no presente
O ouvir do bumbo a cena insistente
Transformar vida e morte em poesia
Vagar sozinho em si pra ser no mundo
Um brando brilho de Urânia, Polímnia e Talia
A luz que todo mundo carrega um tanto
Guardada em seu abismo mais profundo
O que canta e que naufraga
Encara as águas traiçoeiras
Traz na caçada a marca
Da avulta Alma derradeira
Continuar lendo
Abro os olhos, busco a luz
O ar rarefeito que pesa o peito
da indiferença traduz,
Os retratos do seu fantasma
Tenho feito voto de silêncio
Minhas palavras não te arrastam
Em mil horas vagas
Contei todas as estrelas do céu
Me ame com a vontade no peito
Não mede medo onde quer ser tocado
Sopra a brasa do entusiasmo em beijos
Ensendeia a cor de meu rosto pálido
A areia que escorre entre os dedos
O vai e vem do meu interno mar
Fechais as mãos, solto o vento levará
As palavras de um olhar
a lua brilha e meu sorriso canta
Esse teu impossível lugar
Que não é terra e nem mar
Mas existe quando se agiganta
Toda vez que te amo sem pensar
O tempo passa e a morte se aproxima
Entre mágoas sombrias
A reiventada sina
De um Amor que não se acaba
O pensamento triste, a paixão inata
Deixo o amor que te sustenta
Em cada ato dessa estrada
Baila na veemente risca
Do coração que não te mata
E lembre-se: Eu te amo,
Se não te basto,
Minha alma está afogada
Continuar lendo
Macunaíma
Na noite andarilho, que busca?
Tem vistos os vales infernais?
Seu coração anda como a lua
Caiu nas trevas sagaz
Lembra de outras quedas?
Que foste em sua busca?
Olhe para o abismo
Veja em tua fronte que lustra
O novelo de fogo tecido
Veste nua de teus pecados mortais
Cruza a prata, o fogo, a vontade, o ar
Purifica a sombra escura, refaz
Os caminho alquímico dos portais
Mingou a essência,
A inocência perversa serena
Guloso açoitado pela pena
Da vida não sentida,
Da imaginação varrida
De sentido teu.
Continuar lendo
Por que partiste?
Não sabes que o amor abre o apetite
Revivi o morto
Move montanhas,
Renova a vida?
Revela tua alma
Me da sua vontade
Pra que tanto anseio?
Angústia em vales
Toque o meu meio
Perdoa meu jeito,
Dor que dilacera
E rasga o que sobra,
Quimera abrasiva
De meus sonhos
Amar, amar, amar?
Morrer, morrer, sonhar
Esperar,
Meu pomar de rosas destruídas
Pisadas, jogadas
sangrar-me-ei porque vivo
No céu escrito
Não basta?
Continuar lendo
Carregamos a luz sobre a cabeça possuindo-a como medalhão. Esquecemos, distraídos que somos a própria luz, somos nós que pertencemos a ela. A consciência sofre com vertiginosas subidas e descidas, idas e vindas, como se ao corpo e o espírito recusasse a noção de familiaridade.
É preciso descer sempre, mais e mais na intimidade para descobrir em si todo fruto que sua natureza possa gerar. No qual o amor-próprio se dissolve em vez de se refinar ao patamar de uma vaidade que aparenta ser segura.
A consciência é um mundo íntimo como o Mar, revelado no torpor furioso da tempestade que se agita na superfície, mas que se apazígua na atenção que dedicamos a sua profundidade.
Contudo, escolher o melhor não é cortar fora, sufocar, excluir sua natureza, muito menos desviar a atenção de seus movimentos densos das paixões. É reagir, se colocar atento perante a obscuridade e dar-lhe o sentido de transformá-la em Luz.
Pensar é ter consciência de si.
Não posso atribuir a consciência nada que ignoro e deixo encostado como se fosse uma justificativa das minhas más inclinações. A natureza múltipla interrompe a busca do uno, perfeito, imutável e puro, precisamos sempre lembrarmo-nos de Ulisses amarrado ao mastro (consciência) sob a ilusão do canto (paixões desenfreadas) das sereias.
Continuar lendo
Poema: Fio de Ouro / Thiago Garcia
Docê forma que toma meus sentimentos
acompanhado do amor e sofrimento,
Da golgota celeste,
Sussuros do vento
A aurora sui eminência.
Em solo momento, em suspiros relento
ao rever a cintilante lamparina,
que majestosa és em meio tanto tormento!
O caminho como advento
Clarou-se ao ver minha clemência
Ó fabuloso céu, és cumplice de minhas memórias!
Ó fidedigna vontade da eternidade,
De heroísmo e vãs trajetórias,
O descobrir do silêncio que canta a Verdade
Anoiteceu comigo a paz e a serenidade,
donde eu vinha com estrondo em insapiência,
da desavença que troquei com minha alma,
Pôs-me a fundo da efervescência.
Onde nunca é noite vislumbrei
o achar do náufrago tesouro,
O castelo escondido peregrinei,
fui engodo!
esbravejou-se o caminhar
em caprichos campos em lírios cultuei
a Beleza em imutável olhar
Do sagrado sangue, liquefez.
Continuar lendo
Em terra de comunista,
quem prova da água do conhecimento,
é fascista.
Mesmo perdido em desaranjos
Dê ao outro o mais elevado posto,
O das alturas dos anjos
Alimente toda alma em disposto
Nossa guerra de amor oposto
Seja anjo sem asa
Verdade sem mordaça
Luta sem terror
Oclumencias de amor?
Fazemos-lhe o mal na alma
Quando em condição de bicho,
Perfubamos a calma
E escondemos com espicho
Seja anjo sem asa
Verdade sem mordaça
Luta sem terror
Oclumencias de amor?
Continuar lendo