Mais uma vez
Mais uma vez me expus, mesmo que morrendo de medo; mesmo tendo péssimas experiências; mesmo tendo receio de cada palavra. Encarei o que me assombrava e te disse tudo que sentia, por mais de uma vez, disse: "eu quero muito fazer dar certo contigo". Achei que estávamos no mesmo caminho, que dessa vez daria certo; que me entreguei pra pessoa certa; que essa era a hora de ouvir um "eu te amo". Mas no lugar recebi o silêncio, cada vez menos mensagens, cada vez menos afeto, como uma brasa no fundo do cinzeiro que, aos poucos, perde calor e se apaga. Mais uma vez me vi na mesma situação: sendo, facilmente, descartado e substituído. agora me deito com um fantasma, um fantasma de uma lembrança agora fria; tão frio quanto você foi ao me deixar, sem se importar o quanto me machucaria. Mais uma vez tenho motivos pra ter medo, mais uma vez tenho motivos pra ser inseguro; mais uma vez tenho motivos pra não confiar; Mais uma vez sou assombrado. Mais uma vez tenho motivos pra acreditar que nunca serei digno de ouvir um "eu também te amo". Mais uma vez me pergunto: se eu fosse diferente as coisas também teriam sido? talvez se eu fosse mais magro? mais alto? mais bonito? mais inteligente? mais engraçado? mais interessante? mais suficiente? Mais uma vez me pergunto: Algum dia eu vou ser digno de um "eu te amo"?
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